[Opinião] NOVO, o ofício da palavra a serviço do bem

Compartilhe esse conteúdo

Quando o primeiro número do NOVO pousou nas bancas, na manhã de 17 de novembro de 2009, o Diário de Natal, o maior e mais moderno jornal do seu tempo, e o Jornal de Hoje, fundado por Marcos Aurélio de Sá, uma marca na história do jornalismo no Rio Grande do Norte, aqueles dois já agonizavam.
 
Nada justificava o sonho. Nem mesmo a coragem inegável de Cassiano Arruda Câmara, seu fundador. Nascia um jornal quando dois outros começavam a morrer.
 
Sete anos depois, completados agora, no dia 17 que passou, a sensação é que têm razão os que acreditam que não se perde nem em sonhos o bem feito.
 
Sem desconhecer a tradição da Tribuna do Norte, fundada há 66 anos por Aluizio Alves, o NOVO teve o mérito de nascer a partir da sensibilidade do seu fundador, mas também de pesquisa que detectou o desejo do natalense de ter mais um jornal, consagrando a pluralidade de visões de um terceiro milênio também multifacetado.
 
Nós, dinossauros do jornalismo impresso, não desconhecemos o ritmo avassalador de uma comunicação que rompeu todos os limites e pôs na mão de cada cidadão uma pequena estação que recebe e transmite milhares de informações a cada 24 horas.
 
O tempo de produção da notícia que era de 24 horas na circulação normal, exceto nas edições extras, mudou radicalmente. Foi sacudido pelo o rádio, em 1920, e a televisão, em 1950. Levou o som e depois a imagem à casa de cada um.
 
Nesse terceiro milênio, o som e a imagem cada pessoa conduz nas mãos com um conforto de portabilidade que desafia a imaginação.
 
A teoria de que os veículos eram hegemônicos, vias de mão única na direção do ouvinte e do telespectador, também caiu por terra.
 
Hoje os veículos não são os únicos donos da palavra escrita ou falada. Como se fosse um sistema de compensação, a agilidade encontrou no acesso do leitor-ouvinte-expectador o poder de contestação e pulverização universais. 
 
Os jornais vão morrer? Os céticos de toda espécie assim professam, mas nunca se leu tanto jornal, como agora. Porque o jornal sem mudar de suporte buscou uma abertura nas suas formas de acesso, saindo de suas próprias páginas para projetá-las nas telas. E abrigou no seu espaço físico a palavra do leitor para concordar ou contestar.
 
O jornal impresso, como diante do rádio e da tevê, foi capaz de encontrar seu leito agora também virtual e nele navegar diante dos olhos dos seus leitores. 
 
Quando o NOVO pousou nas bancas na manhã de 17 de novembro de 2009, há sete anos, era uma ousadia, não era um Pégaso, mito alado e irreal.
 
Tinha um dia de vida, nascia quando dois outros começavam a morrer, mas trazia nos anos de experiência do fundador, da equipe e dos colaboradores uma grande tradição.
 
Por isto, soube encontrar seu espaço com talento e respeito ao leitor. Seu segredo é o segredo de todos os jornais do mundo: o ofício da palavra a serviço do bem. 
 

[Opinião] Saúde, Educação e Segurança são determinantes para governo

Compartilhe esse conteúdo

Não é agouro, Senhor Redator. Se fosse, era preciso antes ser um mau desejo. E não é. Todos sabem - os médicos e os gestores que lidam todas as horas do dia com a questão: ao propor o decreto de calamidade pública na saúde, antes de ser denúncia, seria um apelo.
 
Ora, é como se o governador Robinson Faria, com todo direito, pois em nome do povo que governa, puxasse o paletó do presidente Michel Temer e mostrasse como andam os serviços desaúde por aqui, a exemplo de todo este país. 
 
Somos melhores que os outros? Não. Mas, o que nos cabe é o que nos diz respeito. A saúde, ao lado da segurança e da educação são as forças mais determinantes na construção ou desconstrução de uma imagem pública.
 
Um bom e um mau governo assim se caracterizam quando, submetidos ao crivo da sociedade, não exercem as três funções que a própria Constituição preconiza como deveres de Estado. Neles não cabem nem as especulações de uma privatização em nome de melhor eficiência.
 
E são forças determinantes porque são universais. Porque a insegurança desassossega a todos, dos ricos aos miseráveis. A saúde, porque apenas 30% da população em média dispõem de um plano de assistência médica. E a educação que ainda pode ser resumida naquela frase de Darcy Ribeiro, pronunciada há décadas, numa antevisão trágica da juventude: se não construirmos mais escolas hoje, amanhã vai faltar para construirmos cadeias. E parece que chegamos ao ápice da tragédia brasileira. 
 
Para fazer o melhor governo da história político-administrativa do Rio Grande do Norte como sonhou durante sua campanha, e confessou de viva voz seu sonho, o governador Robinson Faria terá que melhorar a vida de cada um dos norte-rio-grandenses. E uma vida melhor para todos passa por saúde, segurança e educação. Expectativas inerentes ao ser humano, parte da própria expectativa que move qualquer ser racional na busca de construir um futuro menos desigual e, portanto, mais justo. 
 
Um dos vícios mais desumanos da sociedade moderna é a falsa modernização da pobreza. E o que parece contraditório é justo o que mais lhe flagra. Não adianta dotar o homem da capacidade de ter celular e conectá-lo com o mundo inteiro se a sua pobreza o mantém do mesmo modo isolado, sem poder chamar a polícia e tê-la prontamente em sua defesa; a saúde, para mitigar a sua dor, e ter seu filho numa boa escola pública capaz de prepará-lo para ter uma profissão e profissionalizar-se. 
 
A modernidade na desigualdade é o engodo a mascarar a miséria mais injusta porque cercada de progressos por todos os lados. O homem sem direitos é uma ilha de desamparo e solidão. Vive só o homem sem os direitos da cidadania assegurados pela Constituição.
 
O desafio de quem governa não é dourar a pílula e apascentar o povo. É ser sincero e justo no trato das urgências. Um dia a revolta, hoje calada, pode explodir. E será tarde, muito tarde, para armar o circo e distribuir o pão...

[Opinião] Cenário para 2018 passa pelo nível da crise econômica

Compartilhe esse conteúdo

Serão inevitavelmente de especulações típicas da futurologia política os doze meses do ano que começa nos próximos dias, mas, desta vez, sem favoritismos.
 
Ao governador Robinson Faria, cabe o direito de disputar um segundo mandato independente de maiores ou menores chances nas urnas, assim como na oposição não será fácil a formação de uma chapa. Uma coisa é certa, e não é de difícil previsão: vai ter disputa. O poder fascina muito mais do que a crise que cerca os governos.
 
Aliás, a futurologia começou cedo. Já se arrasta no chão de algumas proeminências e próceres locais a tese de que a crise pode levar a um acordo que, embora aparentemente improvável, pode não ser amanhã se formadas ou criadas novas circunstâncias.
 
Se for interesse do prefeito Carlos Eduardo Alves, ele pode sair candidato e formar a sua chapa majoritária com Garibaldi Filho e José Agripino, mantida a aliança. Como pode reunir o primo e senador GaribaldiFilho e o empresário Flávio Rocha. 
 
A candidatura do prefeito Carlos Eduardo Alves nasce muito mais da escassez de nomes, no campo político tradicional, e das promessas no campo das renovações.
 
Em compensação, se até 2018 a crise econômica declinar e a chance for real, Alves pode emplacar o terceiro governo Alves e assim liderar a família. Aliás, uma liderança que pode ter uma disputa velada na hipótese do governo ser o desejo do deputado federal Walter Alves, o que também exigiria a saída do pai da chapa de senador.
 
As montagens de 2018 por mais criativos que sejam os futurólogos, passam pelo crivo natural do nível da crise econômica e do perfil do candidato.
 
Até lá ainda estarão na fritura do azeite quente da avaliação popular. A classe política, com as exceções de praxe, paga o preço de uma degradação que gera profundos desgastes. Ser candidato, até pela força de pulverização das redes sociais, implica em enfrentar o julgamento difuso, mas sumário e incontrolável, de uma sociedade dura e intolerante.
 
O governador Robinson Faria, se de um lado parece cercado de problemas e desafios, e alguns incontornáveis, manteve a imagem de um político ficha limpa fazendo um governo imune às tinturas de escândalos.
 
Não promoveu a demissão em massa de 14 mil servidores diante da exigência de um limite prudencial que, se cumprido de forma cômoda e sumária, como desejava o Ministério Público, teria caído num legalismo desgastante e irreversível. No seu caso, prevaleceu a sensibilidade política.
 
Só há uma configuração amplamente favorável à oposição: se até final de 2017 a crise revelar os sinais de recuperação em 2018, ano da eleição.
 
Nesse caso, e inevitavelmente, o governo passa a ser um desejo das forças políticas contrárias. Uma coisa é certa: o governador pode fazer as múltiplas escolhas na montagem de sua chapa. Inclusive a construção de alianças que seus adversários de hoje julgam impossíveis.
 
Arte e ciência ao mesmo tempo, a política também é feita de suas artimanhas...

[Opinião] Crise tira dos governadores até poder de barganha

Compartilhe esse conteúdo

A não ser a calamidade pública e o clamor popular, nada mais resta aos governadores, como poder de barganha, para extrair do governo federal alguma ajuda substancial para os estados, muito mais os nordestinos, ilhados nas suas misérias.
 
O presidente Michel Temer tem demonstrado grande habilidade de articulador a construir maiorias folgadas na Câmara e Senado. Com isto, tornou fácil a aprovação das mudanças polêmicas sem contrair maiores compromissos com lideranças regionais. 
 
Se de um lado o modelo proporcionou eficiência e velocidade, de outro recalcou as bancadas e os governadores de uma só vez. Acabou pelo menos por enquanto o prestígio dos parlamentares que lutavam por seus estados e aos governadores restou um papel secundário, não mais aquele de antes, quando eram líderes e garantiam as maiorias.
 
Hoje, enfrentam crises incontornáveis até para liberar empréstimos aprovados nos seus estados garantidos por capacidade legal de endividamento. 
 
A crise é grande e desta vez maior do que a capacidade do tesouro, mas também é certo que não se sobrepõe à classe política na arte de fazer conviver uma inegável capacidade de transigência sem os traços da vassalagem. Se o modelo Michel Temer estivesse acima da classe política não teria hoje, seis meses depois da posse, uma pesquisa com números tão desalentadores. Fazer mudanças é um risco que precisa ser bem calculado para não parecer apenas o aprofundamento da desigualdade. 
 
Na reforma da previdência, por exemplo, a conta foi toda para os mais fracos. Qual a culpa do trabalhador assalariado e até do trabalhador médio, de quem foram feitos os descontos mensais, da má gestão dos governos há anos e anos? Dos altos salários nascidos de previdências estaduais ou institucionais de um Poder Judiciário que agora, nesses tempos de duras transparências, se revelam com privilégios e salários como aqueles - em média R$ 80 mil reais - mostrados pela revista Veja? 
 
Quais as medidas criando tributo para as grandes heranças e grandes fortunas,e para conter as desonerações fiscais que levaram o país a deixar de arrecadar R$ 600 bilhões, três vezes mais do que os decantados R$ 200 bilhões da previdência? O que levou o Palácio do Planalto a não lançar um conjunto de medidas equânimes que cobrasse o sacrifício de todos os estamentos da sociedade? Que não beneficiasse um modelo que se sabe escancaradamente incentivador da economia rentista?
 
Soprado pelos setores mais conservadores para conquistar o poder, mesmo presidindo um partido que era um cúmplice do Lava Jato e não aliado, e a julgar pelas denúncias e suspeições, o Governo Temer parece cercado de uma grande duvida coletiva. Há uma força gravitacional que leva o governo para o centro da desconfiança popular. Força que pode ser vencida, mas só depois que a sociedade conhecer as delações de Eduardo Cunha e dos 76 executivos da Odebrecht. Arre égua! 

[Opinião] Até os anos 60, o líder político era maior do que seu slogan

Compartilhe esse conteúdo

Até os anos sessenta, Senhor Redator, quando a política e os políticos já conheciam os efeitos da comunicação na conquista do voto, o Brasil ainda conviveu com sua última grande geração de homens públicos e o talento era o centro de tudo.
 
O líder era maior do que seu slogan, sua figura mais marcante do que sua foto retocada que lhe tira até as marcas de expressão e lhe empresta um sorriso de matéria plástica; e seu espírito público mais forte do que as frases de efeito que ensinam repetir. 
 
O político não desprezava o bom assessoramento, mas era parte integrante de um jogo feito de idéias e não de frases pré-moldadas. A vocação era natural, nascia do espírito público e quase sempre transcendia a própria formação intelectual.
 
Eram antenas que captavam com sensibilidade os anseios da sociedade que representavam. Serviam em nome da construção de uma vida melhor para todos e se a vaidade existia e ardia era pela capacidade de realizar grandes sonhos coletivos como a utopia. 
 
O marketing político, em si, não faz alguém ficar melhor ou pior do que é. Mas, falsifica com rara perfeição. Põe um discurso democrático na boca de um conservador e até a liberdade nos lábios de um autoritário.
 
Pior, muito pior: como na frase célebre de Eça de Queiroz, mas numa inversão para o mal, o marketing esconde a nudez forte da verdade com o manto diáfano do artificialismo. Não da fantasia no sentido nobre da magia, mas do fantasiar-se para enganar os tolos de toda espécie. 
 
A razão é simples, Senhor Redator: é que no marketing político quase sempre a inteligência é do marqueteiro e não do produto que ele enxerga como um cliente. Dai as distorções, sobretudo o espanto quando o eleitor descobre que votou numa personagem e não no candidato de verdade que lá estava do outro lado da maquiagem. Quando não lhe causa quase um pesadelo a triste descoberta de que estava escondido na pele de cordeiro a hiena que mostrava os dentes, mas escondia os seus caninos.
 
Algumas vezes, Senhor Redator, os efeitos são tão desastradamente prosaicos que a agilidade do cliente desaparece se o marqueteiro entra de férias.
 
É como se levasse na bagagem a inteligência e deixasse no gabinete um órfão das falsas qualidades. Dai a bruma que envolve o limite do ter e do não ter vocação. Alguns são filhos, e é o que basta. Assim, vivem nos plenários e palácios como se representassem a sociedade. Alguns autômatos como papagaios com sua língua seca de tanto repetir. 
 
O marketing político na sua retórica desenhada pela força gestual nunca foi maior que a figura luminosa de um Getúlio Vargas, nem precisou soprar a chama de Carlos Lacerda.
 
E aqui, naqueles flamejantes anos 60, Dinarte Mariz e Aluizio Alves, mesmo entre gestos, cores e canções, foram maiores e mais marcantes que todos os símbolos criados em suas campanhas. Porque eram líderes. Plantavam em cada um o ódio e o amor, sem conceder a ninguém o silêncio frio de desconhecê-los.

[Opinião] Estados e municípios reproduziram erros de Brasília

Compartilhe esse conteúdo

As ramificações e desdobramentos nos estados e municípios dão toda magnitude e extensão da crise que parece pouco provável ter uma única causa, a má gestão do governo federal naqueles finais de 2014 quando o PT sacrificava todas as precauções para conquistar um segundo mandato presidencial, o segundo de Dilma Rousseff.
 
Também nas esferas estaduais e municipais estavam sendo reproduzidos e multiplicados os erros. Não é coisa nascida de casos pontuais lá em Brasília.
 
A constatação não isenta o governo Dilma Rousseff. Mais do que omisso, foi irresponsável duas vezes: não presidiu o país, ocupada em ganhar um novo mandato e quando lhe foi sugerido por Lula a volta de Henrique Meirelles ao comando da economia, bem antes da convenção partidária, viu no seu nome um concorrente, caso acertasse as contas públicas.
 
Nem por isso, registre-se, era menor, pelo visto, o desmantelo nos estados e municípios já acomodados às transferências federais. 
 
É verdade que já um aspecto conjuntural era inegável: na medida em que cresce em todo o país o desemprego cai o consumo e, portanto, a arrecadação. Mas, não justifica o número exagerado de governos e prefeituras literalmente falidos.
 
No Nordeste, segundo dados revelados nos últimos dias, em metade dos governos e dos municípios não há previsão para o pagamento do 13º salário no limite legal de 20 de dezembro, a não ser com atraso de novembro e, quem sabe, também dezembro. 
 
Na prática, o limite prudencial não foi um freio capaz de parar as despesas com pessoal, mas também as despesas de custeio. A falência financeira do Rio de Janeiro serviu pelo menos para livrar os nordestinos da acusação de descontrole e incompetência, assim como o estado falimentar de Minas e Rio Grande do Sul, estados tradicionalmente ricos.
 
O que houve foi um descontrole que se tornou geral revelado pela crise que retirou de Brasília os socorros que jorravam de última hora. 
 
Agora o grande desafio não é só estancar a crise, mas monitorar a retomada do crescimento da economia com o teto da despesa pública que não pode aumentar nos próximos vinte anos.
 
Não é uma tarefa tão fácil como parece na retórica do Planalto. Não é pouco complexo manter os limites e não sucatear ainda mais a saúde, a educação e a segurança. E não garanti-las é correr o grave risco de elevar o nível de insatisfação da sociedade e jogá-la nas ruas em inquietações desestabilizadoras. 
 
É pouco provável que o Governo Michel Temer, com essa equipe de ministros que até agora tem tentado, possa cumprir e realizar bem a tarefa a tarefa a que se impôs.
 
Tem faltado ao governo ser capaz de transmitir estabilidade. Da posse até hoje caíram seis ministros em condições sombrias e suspeitas e, nos últimos dias, passou a fazer parte do cardápio de graves denúncias dos executivos da Odebrecht. Um governo sem sossego, repassando desassossego e a desassossegar toda Nação.