Patagônia Run 2016

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O que motiva os meus treinos são as provas. Sou movida a prova. Se não tenho uma prova agendada, relaxo nos treinos e na alimentação. Quando tenho a prova marcada, procuro me dedicar o máximo possível a ela. Chego a ser chata com os compromissos sociais.

Minha próxima grande aventura já foi marcada. Dia 09 de abril, estarei correndo mais uma maratona de montanha. Amo correr, seja asfalto, trilha ou montanha. Mas, confesso que as corridas de montanhas têm conquistado cada vez mais meu coração.

Fui o ano passado nessa prova e me apaixonei. Fiz a promessa de voltar e voltarei.

Quando fiz minha inscrição para a do ano passado, fiz sem saber se teria condições de terminar a prova. O treino foi pesado. Mais de 100km de rodagem por semana.

Cheguei no dia da prova me sentindo totalmente preparada. Foi uma prova pesadíssima. Na largada fazia um frio insuportável, percurso técnico, com altimetria de 1.350 metros. Levei uma queda no Km 15, corri o resto da prova com a perna machucada e com uma bolha de sangue gigante no dedo do pé. Pensei em desistir em alguns momentos, pensei, inclusive em parar de correr, a dor era grande, as lágrimas desciam involuntariamente, mas eu não podia desistir. Eu não tinha o direito de estragar com o meu sonho de concluir a prova. E, assim, venci minhas dores e meus pensamentos negativos e corri, sofrendo e sorrindo, até a linha de chegada. 43,9 Km de montanha. Décima mulher a cruzar aquela linha, primeira brasileira. Um alívio incrível e o sentimento de voltar lá e fazer melhor.

Meus treinos para ela já começaram e quero me dedicar com toda disciplina que existe em mim.

Patagônia Run 2016, me aguarde!

 

 

 

Preciso falar que sou Ultramaratonista

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Desculpe o transtorno, preciso falar que sou ULTRAMARATONISTA.

 

Vai chover hoje! Não é assim que falam quando uma coisa improvável vai acontecer? Pois, estou eu aqui.

Para quem não sabe, no dia 29 de outubro, eu participei de uma ultramaratona de 50Km na Cidade de Bombinhas em Santa Catarina. Uma prova de corrida trail, mesclando muita serra e praia, um cenário lindo, de cair o queixo.

Faz tempo que eu queria fazer meu depoimento sobre essa prova, mas a correria do dia-a-dia me afastou. Vou começar contando do treinamento.

Esse ano em maio, eu tive a síndrome da mulher atleta, que me deixou sem energia e desmotivada para correr. Fiz a inscrição dessa ultramaratona como forma de incentivo para que eu pudesse superar essa maldita síndrome. Não foi fácil, comecei meu treinamento ainda um pouco sem energia. Meu corpo demorou a responder. Meus longões não passaram de 33 km, pois quando meu corpo aguentou uma carga maior de treino, já era tarde demais, já estávamos na véspera da prova. Meu técnico estava confiante, e eu estava bipolar, tinha dias que estava super segura e tinha dias que estava achando que seria impossível conseguir completar essa prova. Por várias vezes pensei em trocar minha inscrição dos 50Km para os 21Km, mas, confesso que estava com preguiça de viajar pra correr 21km.

Quando cheguei na cidade, já de cara me senti super bem. Fiz uma boa viagem, consegui levar meus lanches de aeroporto, e até o momento nada tinha feito mal ao meu estômago (tenho a síndrome do intestino irritável – quase a mulher síndrome, neah? É síndrome de tudo rsrs).  Minha nutricionista, Adriana Gurgel, também foi correr, estava comigo e de olho na minha alimentação, eu sempre como menos do que devo em pré prova. Um dia antes da largada fiz um treino e me senti super bem, naquele momento eu soube que se o meu estômago cooperasse eu faria uma boa prova.

Dia da prova, sai do hotel as 5:00 da manhã, ainda escuro, sozinha, pedindo proteção durante o trajeto da prova.  Peguei o ônibus da organização e fui para o ponto de largada, que era em outra cidade. Cheguei na largada faltando 45 minutos para o início da prova, estava com muito frio, não me sentia nervosa, estava ansiosa, mas bem tranquila, sem medo. Só queria fazer uma boa prova, chegar bem na meta e virar ultramaratonista.

Logo no começo da prova notei que erámos 6 meninas no pelotão da frente, mas eu tinha que me segurar, eu sabia que ali eu tinha que ter a mente tranquila pois ainda iria correr 50Km, era começo de prova.  Posicionei-me na quinta colocação, a sexta colocada estava logo atrás de mim e as quatro primeiras eu não via mais nem o rastro. E eu fui ali fazendo minha prova, encaixando minha alimentação de acordo com meu plano alimentar, eu sabia que meu maior inimigo ali era meu estômago e não podia bobear, eu queria aquele quinto lugar pra mim. E tudo foi dando certo. Os 12 primeiros Kms da prova não passavam, era só de subida, uma subida atrás da outra. Depois veio uma parte só de lama, tinha chovido muito véspera da prova, devo ter levado umas três quedas. Quando chegou na beira mar, mais ou menos, no km 25 eu vi a quarta colocada, não acreditei.  Chutei a bota, eu fui atrás dela, passei, agora eu era a quarta colocada geral na prova, nessa hora, entramos novamente na trilha, cruzei com uma cobra gigante e eu só pensava no orgulho que eu ia dar para minha família e para o meu coach. Estava correndo para ser a quarta colocada, não queria mais ser a quinta, fiquei com uma dor no pescoço de tanto que olhei para trás. No Km 35 tinha um posto de abastecimento (comida e água), chegando lá quem eu vejo? A terceira colocada fazendo seu reabastecimento. Os meus olhos brilharam, peguei na minha mochila e ainda tinha água e eu não podia perder a chance de ser a terceira colocada. A vontade de parar e comer foi grande, mas passei direto, eu tinha um resto de água, batata e isotônico, não podia parar, não podia perder a oportunidade.

Estava me sentindo bem, conseguindo fazer uma corrida constante, estava em um bom ritmo, não me sentia cansada, as pernas ainda estavam soltas e minha energia estava a mil. Mas, ainda tinham 15 km e eu não podia bobear, nesse momento pegamos outra beira mar, e eu dei toda minha energia, fui embora, correndo forte, eu sabia que ali elas não me pegariam mais, porém o que eu não imaginava era que ali no km 44 eu encontraria a segunda colocada, primeira coisa que me veio na cabeça “vou chorar”, eu a estava vendo, notava que ela estava cansada, e eu estava bem. Eu iria pegá-la e peguei. Mais uma vez, dei o gás e passei dela. E foi só aí, perto do km 44, que me senti cansada, mas eu já tinha chegado até ali e tinha que correr para segurar meu incrível segundo lugar. E assim cheguei na meta. Ultramaratonista e vice campeã, foi muita emoção para um dia só. Senti muito orgulho de mim, da minha determinação. Senti-me muito agradecida a todos que contribuíram com a minha jornada e imensamente feliz por concluir mais um objetivo da minha vida.

Obrigada. Obrigada e obrigada. Foi bom demais. 

 

Vamos falar da Patagônia?

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Vamos falar da prova da Patagônia?

Já vou começar mandando a real. Fiz uma péssima prova.

Pra quem não sabe, em abril corri 44,5Km na Patagônia Argentina.

Muito antes de começar a prova eu já sabia que não era o meu dia.

Eu andava treinando forte, estava muito bem no treinamento, bom desempenho em todos os treinos, disciplinada, focada, cuidando da alimentação, uns 40 dias antes da prova eu me lesionei. Não foi uma lesão grave, mas fiquei com a famosa lesão da pata de ganso. Passei 6 dias sem treinar e logo depois já estava boa. Até então eu pensava que estava. Mas, quando voltei para os treinos, não conseguia render, não tinha mais tanta energia, me sentia cansada, sem estímulo, mas mesmo assim, continuei fazendo minha planilha, e faltando 20 dias para a prova me lesionei novamente, dessa vez era o glúteo médio que tinha se comprometido. Fiquei com muito receio porque esse realmente machucou mesmo. Fora isso, ainda torci levemente meu pé. Então, tinha comprometido osso, músculo e articulação. Passou pela minha cabeça desistir da prova, mas eu iria termina aquela prova nem que fosse me arrastando. E eu só terminei a prova porque fui preparada para caminhar muito.

Eu cheguei à Patagônia sem nenhuma dor. Não tinha dor no pé, nem no joelho e muito menos no glúteo médio, tinha feito muita fisioterapia e minha planilha não estava tão puxada. Porém, é muito diferente correr 8km e 44km. Por isso, decidi tomar um anti-inflamatório mais forte antes de sair para a prova. Eu não queria sentir dor. E de fato, não tive nenhuma dorzinha nessas lesões. Porém, a base do remédio que tomei era lactose e eu tenho a síndrome do intestino irritável e não posso tomar lactose de forma nenhuma. Ou seja, o resultado foi desastroso. Passei a prova com muita dor de estômago. Não consegui comer quase nada, gel de carboidrato, só em pensar eu me arrepiava. Até a ingestão de água ficou complicada. Tive uma desidratação, minhas mãos incharam.  Quem tem essa síndrome sabe como é difícil encarar uma crise. Aos poucos, minha energia foi acabando, e a segunda parte da prova fiz revezando corrida leve com caminhadas.

Mas, quero dizer que a prova foi sensacional. Passei muito tempo na trilha correndo sozinha, sem ninguém por perto e eu AMO quando isso acontece. Momento de reflexão total, contato incrível com a natureza, sensação de liberdade indescritível. E o mais foda pra mim, foi minha cabeça o tempo todo incentivando meu corpo, minha cabeça não é boa, mas nesse dia ela foi preparada para assumir o controle. E isso foi impagável.

Terminei a prova 45 minutos a mais do que o ano passado. Tenho certeza que trenei o suficiente para fazer 45 minutos a menos, mas não deu. Não dessa vez. E agradeci a Deus por ter me dado saúde para encarar quase 45km, com mais de 3 mil metros de altimetria. Me senti muito honrada e feliz por estar presente naquele momento, naquela corrida, naquele lugar, com aquelas pessoas, mesmo com todos os contratempos que tive. E me senti plena por ter escolhido a corrida como o esporte da minha vida.

Quem venham as próximas. 

 

Quem é vivo sempre aparece.

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Dizem que quem é vivo sempre aparece, né?

Pois aqui estou eu. Desde a minha corrida na Patagônia que não apareço. Ainda não contei como foi a prova. Simplesmente sumi do mapa.

Voltei da Patagônia um pouco cansada de correr, sentindo-me fraca e sem energia. Achava que era apenas cansaço da prova e que em 10, 15 dias, estaria recuperada. A verdade é que até agora não estou. E venho lutando contra essa falta de energia diariamente. Graças ao nosso bom Deus, faz uns 10 dias que meu corpo começou a reagir.

Vocês já ouviram falar da Tríade ou Síndrome da mulher atleta? O nome é lindo, né? Mas, é de acabar com a energia de qualquer ser humano. Pois, essa síndrome me pegou.

Praticar exercício físico é maravilhoso, mas tudo em excesso pode fazer mal, principalmente quando você gasta mais energia do que consome. Trocando em miúdos, foi muito treino para pouca comida. E essa minha pequena falha, me gerou um problema enorme.

Essa irregularidade alimentar desencadeia amenorreia (ciclos menstruais diminuídos ou ausentes) e osteoporose (redução de massa óssea corpórea).

O tratamento para a síndrome é regularizar a alimentação, aumentando o consumo de carboidrato e reduzir os treinos.

Eu tenho um educador físico que faz minha planilha e tenho uma nutri que cuida da minha alimentação, e mesmo assim eu caí nessa. Não comia tudo que estava no plano, por falta de apetite mesmo.

Esse foi o grande motivo que me fez desaparecer daqui: precisei dar um tempo do universo da corrida, estava quase em depressão, mas foi preciso. Só agora estou me sentindo bem para voltar. Meus treinos já estão se normalizando e a falta de energia também vem passando.

Que essa postagem sirva de alerta. Vamos nos cuidar e não querer fechar os olhos para o que o nosso corpo vem nos alertando. Eu estava sentindo que tinha algo errado e mesmo assim só procurei ajuda quando a coisa já estava bem feia. Enfim, é com os erros que se aprende. E eu já estoquei muitos quilos de macarrão e batata na minha despensa.

No próximo texto eu falo sobre a prova da Patagônia.

Até breve. :) 

A 4 dias da maratona da Patagônia Argentina

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Bom dia!

 

Amanhã embarco para encarar meu próximo desafio.  Para quem não sabe, vou correr 44,4 Km, com o acumulo de 2980 metros. Não é uma prova de asfalto, é uma prova de montanha, na Patagônia Argentina.

Ano passado participei da prova e fiz em 5h14m, estava treinando para melhorar esse tempo, mas nos últimos 20 dias me apareceu algumas lesões e venho tratando diariamente com gelo e pomadas anti-inflamatórias. Ainda bem, no meu longão do final de semana eu corri sem dor, mas é muito diferente correr 20Km do que 44km, né? Portanto, minha meta é completar a prova, procurando observar as paisagens que são espetaculares e superar meus limites.

Sou muito ansiosa e véspera de prova, seja qual distância for, eu fico uma pilha, fico o tempo todo pensando na prova e montado as estratégias. Esse ano como estou abrindo uma empresa nova, confesso que só agora, escrevendo esse post, é que a ansiedade começa a aparecer e o coração bater mais forte. Espero fazer uma boa prova.

Vou postar aqui o vídeo da cidade, que é linda, para vocês entenderem melhor as montanhas que irei subir, espero que correndo. rsrsrs.

A largada é sábado às 8h da manhã. Torçam por mim, vou precisar de muita energia positiva. Estou pronta para mais este desafio.

Quem quiser acompanhar tudo, segue lá no instagram e no Snap: @ninabarbalho

Mando notícias assim que puder.

Vai ser lindo. 

Momento do corredor – Para motivar.

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Bom dia, gente!

Vou começar a dividir com vocês trechos de livros que estão sempre me motivando. Espero que sirva para vocês também. :) 

Trecho do livro Do que eu falo quando eu falo de corrida:

“Um corredor contou a respeito de um mantra que seu irmão mais velho, também corredor, lhe ensinara, e sobre o qual ele refletia desde que começará a correr. Ei-lo aqui: a dor é inevitável. Sofrer é opcional. Digamos que você esteja correndo e comece a pensar: Cara, que dor, não aguento mais. Sentir dor é uma realidade inescapável, mas continuar ou não suportando é algo que cabe ao corredor. “

 Não vamos focar na dor, vamos focar na alegria de cruzar a linha de chegada, né?  O caminho é pesado, mas que graça teria se fosse fácil? Vamos pra cima!