Vereadores têm 290 cargos comissionados à disposição em Natal

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A Câmara Municipal de Natal está em recesso até 15 de fevereiro. O plenário, silencioso e vazio, contrasta, porém, com o clima nos corredores da Casa. Desde a semana passada, após a posse dos vereadores no dia 1º, os assessores dos gabinetes, os próprios políticos e cidadãos comuns em busca de alguma “ajuda” circulam pelo Palácio Frei Miguelinho, na esquina da avenida Campos Sales com a Rua Jundiaí, em Tirol. 
 
Comissionados demitidos no último ato da mesa diretora em 2016 – como é de praxe na mudança de Legislatura – também enchem a entrada da presidência, em busca de informações sobre as novas nomeações. “Você vai ficar?”, perguntava um, na manhã de ontem (9), a um amigo que saía da sala da chefia de gabinete da presidência. Mas não havia resposta. Sequer o chefe de gabinete tinha sido contratado oficialmente. 
 
Duzentos e noventa (290) cargos são de indicação direta dos vereadores. Cada um dos 29 empossados montará uma equipe de até 10 auxiliares, com salários que variam de um salário mínimo a cerca de R$ 6 mil. A expectativa dos bastidores é que as nomeações em Diário Oficial ocorram até o início da próxima semana. A Câmara também contrata servidores para comissões e para as áreas administrativas, sem concurso.
 
Os mandatários ganharão salários mensais de R$ 17 mil, ou R$ 12 mil, se forem considerados os descontos. Além dos vencimentos, os vereadores contam com verba indenizatória que pode chegar a R$ 18 mil por mês, para gastos com material de gabinete, combustível, contratação de assessoria jurídica, entre outros custos. Eles somam R$ 522 mil por mês.  
 
Sem nomeação alguma até o momento, os servidores que deverão ser nomeados para os cargos de chefia (e que já trabalham informalmente), preferiram não dar entrevista. Não são todos os vereadores que já apareceram nos corredores. Os mais novos são os mais presentes. Fazem reunião para organizar suas equipes, alguns reformam gabinetes, tratam de abertura de conta no banco, discutem formação das comissões da Casa. 
 
Os legisladores mais antigos também comparecem ao palácio. Nesta segunda-feira (9), o primeiro encontrado pelo NOVO no início da manhã foi Fernando Lucena (PT). O parlamentar afirmou que está realizando um levantamento dos projetos que apresentou ao longo do último mandato e que foram vetados pelo prefeito Carlos Eduardo Alves. 
 
Ele explicou que, uma vez vetados, os textos não podem mais ser reapresentados durante a Legislatura. Mas, no início do outro mandato, ele pode voltar a apresentar as propostas. Lucena não soube dizer quantas eram as propostas que se encaixavam nesse quesito. “Minha equipe está fazendo esse levantamento. São muitos projetos que o prefeito rejeitou, porque sou da oposição, mas vamos apresentá-los novamente. São importantes”, ponderou. O vereador afirma que não fez recesso. 
 
Além de mudanças nas próprias equipes, alguns vereadores assumem novas salas no palácio. Reeleito para seu segundo mandato, Aroldo Alves (PSDB) deixou sua sala antiga para ocupar o gabinete que até então pertencia a Joanilson Rêgo (PSDC). Joanilson não conseguiu se reeleger. O ambiente tem cheiro de tinta, pois acaba de ser pintado. Uma parede na recepção ainda tem fotos do antigo mandatário. 
 
Ontem, Aroldo estudava propostas dos seus próprios assessores para melhorar sua atuação na Casa. Ele quer tornar seu trabalho mais conhecido – comemora por exemplo a aprovação da lei da licitação dos transporte público enquanto esteve à frente da comissão responsável, por exemplo.
 
“Estamos fazendo um planejamento do mandato, do atendimento às comunidades e da nossa participação nas comissões”, afirmou. Ele quer permanecer no grupo que trata da mobilidade urbana, que presidiu em 2016, além de participar das discussões sobre saúde, entre outros. 
 
Natália Bonavides (PT) se reuniu com vários auxiliares no mesmo escritório que atendia à ex-vereadora Amanda Gurgel. As placas de identificação ainda serão substituídas. Primeiro secretário, eleito dia 1º, Dinarte Torres (PMB) já abriu mão de dois gabinetes para atender a apelos de duas colegas. Ele explica que a escolha das salas não é por sorteio, mas por consenso entre os parlamentares. 
 
Atualmente ele ocupa o gabinete que pertencia ao ex-vereador Manoel do Cação, no anexo da Câmara. Vai repassá-lo, porém, à ex-governadora Wilma Faria (PTdoB), já que o local é mais acessível para a vereadora, que enfrenta problemas de saúde. “Não tenho problema com isso. Já fui eleito mesmo. Isso é que importa. Meu gabinete não será só na Câmara. Também será itinerante”, justifica Dinarte.
 
Herança
 
Os vereadores Preto Aquino (PEN) e Ana Paula (PSDC) foram eleitos para o primeiro mandato cada um e ainda não estão atuando diariamente na Câmara. Além de terem herdado as bases do irmão Aquino Neto e do marido Júlio Protásio, respectivamente – condenados pela Operação Impacto e impedidos de tentar reeleição - os dois instalarão seus gabinetes nas mesmas salas onde os antecessores trabalhavam.