Servidores querem que Prefeitura divulgue folha de pagamento detalhada

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“Só entra se tiver crachá de imprensa”, afirmava um dos grevistas ao abrir o portão nos fundos do prédio que abriga a Semad e o Instituto de Previdência (Natalprev) para o NOVO acompanhar uma reunião que acontecia ali, ontem (11). Os servidores municipais ligados a cinco sindicatos ocuparam o prédio, na Cidade Alta, por volta das 5h de ontem para pressionar a Prefeitura a divulgar detalhadamente a folha salarial do município, além de voltar a pagar os salários em dia, dentro do mês. Temiam, entretanto, alguma ação policial para retirada deles.
 
Cerca de 60 pessoas estavam concentradas do lado de dentro a portas trancadas. Discutiam quais seriam os próximos passos do movimento. Outro grupo maior estava na frente da secretaria, na rua Santo Antônio, entre discursos e o cheiro de feijoada que era preparada para o almoço. Um aposentado que chegou ao prédio buscando atendimento no Natalprev teve que voltar para casa. Preferiu não dar entrevista.
 
Os grevistas, que completam hoje dois meses de paralisação afirmam que ocuparam a unidade para abrir diálogo com a prefeitura, que, de acordo com eles, ameaça demissões e inclusive saque na previdência municipal - a exemplo do que aconteceu no Estado entre 2014 e 2015 - para conseguir retomar a normalidade administrativa. Desde outubro de 2016, a administração vem pagando os salários em datas diferentes, dentro do mês seguinte. Por causa da ocupação, a Prefeitura adiou o pagamento dos salários de dezembro, que seria feito ontem para os servidores que ganham entre R$ 2 mil e R$ 4 mil. 
 
De acordo com os servidores, em uma reunião realizada na Secretaria de Planejamento, semana passada, a gestão municipal informou que tinha planos de saque na previdência e demissão de servidores instáveis – aqueles em estágio probatório, por exemplo. O objetivo seria normalizar as contas do município. Assistente social de Natal há dois anos, Luana Soares seria uma das demitidas caso a opção seja realmente implementada pelo Executivo. “É uma ameaça de demissão a quase 500 servidores que fizeram concurso. Isso não é prejudicial apenas ao servidor, mas à política municipal de assistência social, que não pode ser implementada sem nós”. 
 
Na reunião, os grevistas debateram como manter a ocupação com o maior número possível de manifestantes e realizar articulações com outros sindicatos. Estavam representados o Sindicato dos Servidores Municipais (Sinsenat); da Saúde (Sindsaúde), dos Odontologistas (Soern), dos Enfermeiros (Sindern) e dos Guardas Municipais (Sindguardas).  
 
Soraya Godeiro declarou que o grupo está pronto para passar quantos dias forem necessários. “Só vamos sair quando nossa agenda for atendida. A gente precisa ter essa folha de pagamento, para saber onde está impactando na Lei de Responsabilidade Fiscal, na falta de reajuste de salários - com três databases sem serem cumpridas - e no próprio pagamento dos trabalhadores”.
 
Servidores questionam argumentos da Prefeitura
 
De acordo com Soraya Godeiro, a Prefeitura do Natal diz que a folha salarial de servidores custa R$ 52 milhões, entretanto, com R$ 13 milhões pagou 70% dos servidores. 
 
“Chamou muito a nossa atenção. Quer dizer que quase quarenta milhões é gasto apenas com 30% dos servidores”, apontou.
Para Célia Dantas, presidente do Sindicato da Saúde, os números causam suspeitas de que haja muitos servidores ganhando acima do teto salarial estabelecido pelo Município. “Queremos que a prefeitura nos dê a folha, nominalmente quanto recebe cada um”, pontuou. 
 
Os servidores ainda questionaram o fato de a Prefeitura declarar aumento substancial na folha de pagamento e se perguntam como se isso é possível, já que estão sem aumento há cerca de três anos. 
 
Ainda assim, declaram que a pauta não pede aumento de salários, por entenderem que o momento é de crise e preservação dos postos. “É mais importante segurar o emprego”, ponderou Ivan Tavares, do Soern. 
 
Entre as categorias em greve a dos guardas municipais paralisou atividades em dezembro. De acordo com o coordenador do sindicato, Souza Júnior, dos 461 servidores, cerca de 80% estão em greve. “As rondas da Saúde, da Educação e do Meio Ambiente estão paralisadas”, informou o representante sindical.