A História da Jovens Escribas – Parte 01 – Verão Veraneio

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Com o lançamento do primeiro livro, o meu "Verão Veraneio", nascia oficialmente o selo editorial Jovens Escribas. E assim começou a história que originou muitas histórias. 

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A História da Jovens Escribas – Parte 01 – Verão Veraneio – O livro da estação.

Enquanto as conversas com os outros 3 autores caminhavam para o surgimento do selo Jovens Escribas, eu continuei escrevendo crônicas de humor para compor o meu primeiro livro. Já havia decidido qual nome dar à iminente publicação: “Verão Veraneio – Crônicas de uma cidade ensolarada”.

Fui reunindo textos e fazendo, empiricamente, o trabalho de auto-edição que, mal sabia eu, marcaria bastante minha vida dali pra frente. Quando Modrack Freire, diretor de arte que já havia concluído o logotipo do selo, se ofereceu para fazer o livro, começamos a imaginar como poderia ser a capa. Logo criamos uma imagem em nossa tempestade cerebral: a foto de um baldinho de criança à beira mar sendo utilizado para gelar cerveja, unindo a inocência presente na leveza das crônicas com a irreverência do humor também bastante característico nos textos. Na quarta capa, haveria outra foto: uma trave de “mirim” deixada de lado com o chão impecável em torno dela. Como se os jogadores não tivessem algo melhor para fazer naquele dia (beber, paquerar, curtir) do que jogar futebol. O fotógrafo convidado a fazer os cliques foi Giovanni Sérgio, mago das lentes, ídolo de longa data.

Com a direção de arte, diagramação e fotos garantidas, precisava batalhar agora um nome relevante que topasse assinar as orelhas da obra. Tinha que ser alguém reconhecido na literatura, de forma que o livro chegasse às pessoas com algum respaldo importante. Meu pai, em conversa com François Silvestre, chegou à conclusão que eu poderia procurar Nei Leandro de Castro, uma vez que eram muito amigos desde os tempos em que a Ditadura Militar os perseguira e prendera algumas décadas antes. Procuramos Nei que, num primeiro contato por e-mail, disse-me com sinceridade que só escreveria se gostasse do que lesse. Fiquei muito animado com a possibilidade e lhe entreguei o material impresso e encadernado em mãos, numa de suas vindas a Natal, naquele ano de 2003.

Menos de uma semana depois, Nei Leandro me escreveu. Sua mensagem veio repleta de elogios e terminava com sua concordância em escrever a orelha. Em mais alguns dias, o texto estava em minha caixa de entrada de e-mail. Em alguns trechos mais lisonjeiros, Nei dizia o seguinte:

Carlos Fialho me surpreende. Primeiro, por sua precocidade. Segundo, porque as suas crônicas são bem escritas, docemente sacanas, inteligentes, e nos dá a certeza de um escritor, que não há de ficar nos limites da crônica.

Os textos deste livro têm a idade e a linguagem  de um garotão bem resolvido com ele mesmo. Os temas  – gírias regionais, porres, rock, vídeo-game, paqueras, Natal, cinema, carnatais, carnavais, etc. – são tratados com graça e ironia, leveza e fino senso de humor.

Carlos Fialho, cronista, precoce, publicitário, devorador de livros, autor das crônicas deliciosas deste Verão veraneio, vai chegar lá. Esse garoto vai longe.

Além de Nei, procurei um autor adequado para o prefácio. Não precisava ser famoso, mas que tivesse um estilo mordaz e bom humor, de forma a combinar com o conteúdo do livro. Escolhi meu ex-colega de faculdade, George Wilde, que fez um texto preciso, de acordo com o que eu pretendia. Destaco uma pequena parte:

Ao ler o livro, descobri que dentro de Fialho existe algo grandioso: a sua percepção em relação ao nosso dia-a-dia. Afinal, poucas pessoas conseguem sair do círculo da rotina para perceber o verdadeiro circo em que vivemos.”

A campanha publicitária foi elaborada com alguns títulos bem humorados, bem ao estilo do livro. A assessoria de imprensa contou com indicações de colegas do curso de Jornalismo da UFRN. Minha primeira entrevista foi concedida a Marcílio Amorim (Jornal de Hoje) e a segunda a Hayssa Pachêco do Diário de Natal. Mas a maior responsável pela divulgação do meu primeiro lançamento não era a imprensa nem a publicidade. Quem promoveu o evento a ponto de transformá-lo em sucesso foi minha mãe, Lurdete.

Quando percebeu que era sério mesmo “essa história de livro”, arregaçou as mangas e telefonou pra cada parente, cada amiga, cada conhecido, reforçando bastante a frequência de presentes na noite de Verão Veraneio. O local escolhido foi a AS Livros do Praia Shopping, uma livraria acolhedora que tinha como gerente Cícero, um cara que dava bastante espaço a autores locais. O saldo da noite foi um estrondoso sucesso (163 livros vendidos) num ambiente preenchido de amigos, parentes e colegas de trabalho. Só a partir do segundo livro, essa frequência seria reforçada por leitores.

A noite foi tão agradável que Patrício Jr., que escrevia um blog, publicou uma postagem falando de como fora legal o evento (a qual reproduzo no fim desta publicação). Foi um belo cartão de visitas, indicativo do que estaria por vir num futuro não tão distante e também das possibilidades de crescimento e expansão que o então selo editorial acabaria por aproveitar com o passar dos anos.

“Verão Veraneio – Crônicas de uma cidade ensolarada” trazia 5 capítulos. No primeiro, “Galado e outras palavras”, havia temáticas mais gerais. Entre elas, alguns textos merecem destaque como “Galado” que me notabilizou em muitos rincões da Internet e “A Loja de Inconveniência” que até hoje se mantém como um dos meus preferidos. No segundo capítulo, “Cruvinel – o bom de bola”, apresento um personagem que me acompanhou com o passar dos anos e que, mês que vem, ganhará livro próprio. No terceiro, “Mano Celo”, nascia o protagonista do meu livro mais vendido até hoje e que, ano que vem, ganhará mais uma publicação caprichada com todas as suas histórias reescritas. Em seguida, vinha “Vi e gostei” com crônicas sobre cinema. Para fechar, o capítulo mais legal do livro: “Aconteceu no verão” com as histórias pertinentes ao tal “Verão Veraneio” que dá título ao livro.

E assim foi dado o pontapé inicial para a, hoje decana, editora JOVENS ESCRIBAS. Continuem acompanhando aqui nossa história. Detalhe: o livro esgotou sua primeira tiragem em apenas 4 meses.

 

NO PRÓXIMO CAPÍTULO DESSA HISTÓRIA: LÍTIO – CRU, POLÊMICO E INDIGESTO?

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BÔNUS: POST DE PATRÍCIO NO SEU BLOG PESSOAL – O PLOG

 

06/02/2004
há vida inteligente
no mercado publicitário

Quem trabalha com publicidade sabe: de tempos em tempos, tem uma “festa do mercado”. Tais eventos, sempre patrocinados por veículos, fornecedores, clientes ou ambos, têm por maior finalidade embebedar todo mundo, calar a boca de quem está perscrutando que o ano foi ruim e, por residual, reunir profissionais para um bate-papo informal. Pois é, parece um paraíso, mas tais “festas do mercado” haviam se tornado um verdadeiro transtorno. Passo o dia todo numa sala falando/fazendo/refazendo/desfazendo/tentando fazer publicidade. A última coisa de que preciso é estender esta missão ao meu happy-hour. Como prova de que nem tudo está perdido, houve esta semana o lançamento do livro de Fialho, “Verão Veraneio”, que não pretendia ser uma “festa de mercado”, mas acabou sendo por reunir exatamente as mesmas carinhas de sempre. O que me surpreendeu foram os temas das conversas. Ninguém, por exemplo, me perguntou “Como é que está la’?”. Ok, tudo bem, uma pessoas me perguntou isto, mas o assunto morreu quando eu respondi “Lá onde?”. Uma pessoa a noite inteira. Nada mal. Em outras “festas de mercado”, a famigerada pergunta “Como é que está lá?” é dita antes mesmo do “Tudo bem, broder?”. Já é, praticamente, sinônimo de oi. No lançamento de “Verão Veraneio”, porém, tudo foi diferente. Fialho conseguiu a façanha de reunir as mesmas pessoas de sempre fazendo, no entanto, com que todas soassem inéditas. Não sei se foi o fato de estarmos todos na AS Livros, rodeados de Dickens e Saramago e Proust e Pessoa e Machado e Camus. Birita? Claro que teve. Buffet? Sim, impecável. Bêbados chatos? Uh, nossa, e como! Mas estava tudo agradabilíssimo, tudo soando como um lançamento deve soar. Os temas conversados iam de autores consagrados a bandas de rock obscuras, sempre com tiradas inteligentes, observações pertinentes, risos na medida certa. Um éden para amantes do bom e velho papo construtivo como eu. Nunca gostei tanto das “pessoas do mercado”. O livro, graças aos céus, vendeu bem. Fialho, coitado, deve estar cheio de bolhas nos dedos de tantas dedicatórias escritas. E eu, exemplar autografado na mão, cheio de riso a caminho do estacionamento, concluí que a melhor das “festas do mercado” que eu já fui na minha vida foi o lançamento do livro do meu bróder. Mesmo que não tenha sido uma “festa de mercado”.

Patrício Jr.

7 anos de Novo jornal. É uma honra fazer parte dessa história

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Nesta semana, comemora-se os 7 anos do Novo Jornal. E eu, como um bom menino, colunista disciplinado que nunca falhou com o envio de um texto e colaborador com profundo espírito de equipe e poderoso senso de dever teria que escrever a respeito deste natalício tão importante para a vida da cidade, dos seus partícipes e, por consequência, na minha vida. Porém, contudo, no entanto e todavia, surgiu um fato que não poderia passar sem registro: minha coluna de hoje sai no dia do aniversário da minha mulher. Nesse caso, o Novo Jornal vai ter que me desculpar, chegar um pouquinho de lado e aceitar que dividirá o tema da coluna com aquela com quem decidi compartilhar mais do que palavras, mas a própria vida. 
 
O convite para escrever no Novo Jornal veio em 2010 e foi aceito de imediato, com muita honra. Quando o editor Carlos Magno formulou o convite, disse: “Estamos chamando você porque sabemos que você tem leitores”. Fiquei feliz. E hoje tenho mais leitores ainda, graças ao Novo. Não foi um caminho fácil. Foi preciso muito trabalho antes de ser possível escrever para um veículo impresso que circula todos os dias, que conta com algumas dezenas de profissionais envolvidos em sua elaboração. Esta era uma chancela que havia muito eu perseguia. Porque a Internet tudo aceita, mas um jornal diário carrega consigo toda a bagagem e tradição da imprensa nacional. O que se escreve e se registra numa publicação respeitada tem maior comprometimento do autor para com seus leitores, ainda que aquelas palavras venham a embrulhar pescados no dia seguinte. 
 
Lembro a primeira vez que tentei escrever para um jornal da cidade. Era o texto “Galado”, cometido no ano de 2001, vetado no Diário e no Jornal de Hoje por conter um palavrão. A crônica tinha se espalhado na Internet e eu havia perdido a autoria. O episódio serviu de motivação para que eu publicasse meu primeiro livro, que aliás, acabou resultando numa editora com mais de 130 livros publicados. Curioso saber que, anos depois, foram os livros que me conduziram a um jornal, não o contrário. Ou seja, aquela negativa dos jornais de 2001 acabaram me guiando até o Novo em 2010. Curiosa a lógica da vida. 
 
Ainda como estudante, escrevi em jornais escolares como o “Boca Livre” do Colégio das Neves e o “40 graus”, jornal que circulava em várias escolas. Na faculdade de jornalismo, publiquei na “AZ Revista”, fanzine que me acolheu, capitaneado por Caio Vitoriano, Paulo Celestino, Cristiano Medeiros e George Rodrigo. E, paralelamente à publicação dos 3 primeiros livros, colaborei como colunista do portal Diginet (lembram?). Dessa maneira, fui arregimentando os leitores que motivaram o Novo a me convidar. 
 
Fazendo um paralelo a esta trajetória, em 2010, quando aceitei o convite para escrever no jornal, Nina havia aceitado o meu convite para escrevermos outra história. Estávamos noivos e o casamento que completa 6 anos também este mês rendeu frutos maravilhosos como Isabela, um lar repleto de amor e parcerias várias. Da mesma maneira que eu precisei escrever em vários lugares, publicar 3 livros até merecer o convite para ser colunista do Novo Jornal, Nina também apareceu em minha vida num momento em que eu já cogitava seriamente uma vida de homem solteiro em que bastar-se seria a meta principal de uma vida sozinha, mas feliz. Minha mãe, à época, já nem pedia que eu casasse, mas que eu engravidasse alguém para que ela pudesse ter um neto. Não foi preciso, mãe. Pode ficar sossegada.  
 
Sempre gostei de publicar no Novo Jornal, publicação que, apesar da orientação editorial conservadora e bem à direita, nunca perdeu o espírito “zuêro” e foi capaz de estampar, por exemplo, as charges geniais de Ivan Cabral por tanto tempo, além de dar voz e vez a opiniões dissonantes e plurais, como a de vários dos seus colunistas fixos.  Porque se vocês repararem bem, até os comentaristas de portais de Internet têm vez, representados por um certo colunista ali... mais não digo. 
 
E as manchetes! Ah, as manchetes. Corajosas, cheias de picardia. Lembro de uma em especial, quando a Câmara Municipal criou uma série de problemas para o Prefeito Carlos Eduardo e o Novo mandou ver na capa: “Dor de cabeça grande”. Em outra antológica chamada da série “veneno escorrendo nas páginas”, escreveram um título sobre uma votação na câmara na qual o SINDIPOSTOS era parte interessada e teve o pleito atendido pelos vereadores: “SINDIPOSTOS dá o troco!” Na mesma edição, mais uma pérola, em texto que repercutia o fato de a votação ter sido decidida por um voto: “Foi a conta.” Como não respeitar? 
 
Este mesmo espírito “zuêro”, trabalhado na ousadia e alegria, posso afirmar olhando em perspectiva, é um dos pilares do meu casamento. Vejo tanta gente alardear no Facebook que está em um relacionamento sério com outra pessoa. Eu que não queria estar em um relacionamento sério. Prefiro um compromisso leve, bem-humorado, divertido e que torne a vida leve para ambas as partes. Por fim, acabamos por ser agraciados por uma filha mais gaiata que nós dois juntos e elevamos ao cubo a máxima: “procure um amor que goste de cachorros”.
 
No Novo Jornal, minha relação não é lá de muita seriedade. Muitas vezes, me acusam de ser debochado, de brincar com coisa séria, mas é através do humor que extraio a reflexão, que proponho crítica social, que demonstro o outro lado da ópera bufa que teimamos chamar de vida. 
 
E segue o baile. Um amigo disse outro dia uma expressão que tenho utilizado à exaustão: “sou jovem há mais tempo”. E como todos nós que temos sido jovens há cada vez mais tempo, o Novo Jornal chega a seu sétimo ano de existência. Nina e eu também continuamos a correr (no caso dela, inclusive, literalmente) atrás da realização de objetivos, transformando sonhos em metas e escrevendo nossa trajetória juntos. Fico feliz com o que estamos construindo e pelo momento que vivemos com a certeza de que neste ritmo, ainda que passe muito tempo, seguiremos sendo jovens e é essa alegria, energia e jovialidade que me faz amá-la ainda mais. 
 
Não fique com ciúmes, Novo Jornal. Você também é legal. mas é que Nina deixa todo mundo na poeira. Que bom que você já está acostumado a ser o segundo. 
 

Coluna do Novo Jornal – 020 – Dona Noilde – 08.01.2011

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A última reunião de Dona Noilde

Há pessoas que se destacam de tal forma na vida de uma cidade que acabam por se tornar maiores do que o próprio local onde vivem. Em Natal, isso é bem comum, uma vez que sofremos da eterna privação de pessoas verdadeiramente célebres, que sejam dignas de culto, de justa reverência, de merecidas homenagens. Somos uma cidade marcada pelo signo do “mais-ou-menos”, povoada por uma sociedade zelosa de seus valores frívolos e com um baixíssimo grau de exigência em relação à boa educação, à reputação ilibada e ao comportamento adequado de nossas autoridades, nossa elite e nossos conterrâneos mais, por assim dizer, ilustres.

Tais características só enfatizam sobremaneira o legado deixado por Dona Noilde Ramalho que, certamente, foi uma cidadã acima da média (e assim seria mesmo que a média em nossa província que sonha em ser metrópole fosse alta). Graças ao seu trabalho, sua obra e a atenção que dedicou durante tantos anos à educação em nossa cidade, algo tão negligenciado nessa esquina tropical, Dona Noilde passou a habitar o inconsciente coletivo de todos os natalenses. Virou sinônimo de caráter, fibra e trabalho árduo em prol do ensino de qualidade, a única coisa capaz de nos resgatar das profundezas da ignorância onde invariavelmente nos escondemos. Seu nome pairava no ar e se havia tornado um exemplo de liderança e pioneirismo incontestável.

 

No fim de 2010, no auge dos seus 90 anos, tive o privilégio (e aqui tal palavra é mais do que adequada, mas necessária) de conhecê-la pessoalmente. Ela queria conversar comigo, com a jornalista Graciema Carneiro e o diretor de arte Arnaldo Araújo a respeito da divulgação do centenário da Liga de Ensino do Rio Grande do Norte. A Liga foi fundada por Henrique Castriciano em 1911 com o objetivo de promover o desenvolvimento do nosso Estado por meio da educação. A primeira instituição fundada pela Liga foi a Escola Doméstica, criada para oferecer boa educação às mulheres que, àquela época não recebiam educação formal, sendo, quando eram, educadas em casa. Dona Noilde queria que começássemos pela criação de uma logomarca comemorativa do centenário. Contou-nos toda a história da entidade com invejável domínio e absoluta clareza, ressaltando sua importância e nos dizendo que naquele tempo havia pessoas que se dedicavam ao trabalho voluntário em benefício de uma comunidade ou de uma cidade.

Bem humorada e bastante segura, logo estava batendo papo sobre assuntos diversos que marcaram a história das escolas que dirigia. Falou-nos de Nísia Floresta e da visita que a escola recebeu da professora Constância Duarte, especialista na escritora potiguar. A certa altura, ao ser informada que eu escrevo textos semanais para este jornal, presenteou-me com um livro de crônicas de autoria de ninguém menos que o próprio Henrique Castriciano. Comecei a folhear o livro e percebi a existência de um texto que falava de alguns conterrâneos seus, os natalenses de 100 anos atrás. Chamava-se “Os imbecis”. Fiquei surpreso com 3 coisas: 1º ao saber que já havia imbecis em quantidade na cidade àquela época, 2º ao concluir que tal tipo humano é caracterizado pela longevidade centenária e, principalmente, em conhecer uma crônica de Henrique Castriciano intitulada dessa forma.

Tomado por leve e insensato momento de desenvoltura, comentei com ela: “Dona Noilde, veja esse texto. Chama-se Os Imbecis. Ele tava com raiva de alguém nesse dia.” Ela riu e explicou que o escritor se utilizava de pseudônimos para expressar opiniões mais fortes e contundentes com relação a Natal e seus cidadãos, fato que eu próprio pude comprovar algumas páginas adiante ao ver os textos “Os Imbecis 2” e “Os Imbecis 3”. Não me contive novamente e comentei: “Ô raiva pra durar!”, ao que ela respondeu rindo generosamente mais uma vez.

Dias depois voltamos à Escola Doméstica para apresentar o trabalho encomendado. Na verdade, nesta segunda ocasião, eu não pude ir. Arnaldo e Graciema foram mostrar as 3 opções de logomarca que nós preparamos para ela. Uma delas, a que mais gostávamos, era muitíssimo ousada, cheia de elementos modernos, coloridos, identificados com essa geração Facebook-Restart. Acreditávamos que aquela seria naturalmente descartada, pois ela acabaria optando por uma das outras duas mais sóbrias que levávamos. Até pela cerimônia inerente à ocasião (o centenário de uma instituição importante) era de se esperar que uma alternativa mais clássica fosse escolhida.

No momento em que viu as 3 marcas, porém, ela não teve dúvidas. Disse que queria aquela mais moderna, pois transmitia exatamente o que ela gostaria: “Uma instituição centenária, mas que se atualizou com a sociedade.” Pediu, no entanto, para que utilizássemos uma das outras mais sóbrias para estampar placas e medalhas que serão distribuídas durante o ano para “não chocar demais os mais conservadores”, explicou. Era como se ela nos dissesse: “Essa marca aqui combina mais conosco, que somos jovens.” Com isso, a marca ousada que apresentamos assinará todas as peças de divulgação do centenário da “Liga de Ensino para o Desenvolvimento do Rio Grande do Norte”.

Após essa reunião, Dona Noilde saiu para almoçar e, naquela mesma tarde, viajou. Acabaria partindo para uma viagem mais longa ainda e não participaria mais de outras reuniões de trabalho. Guardo o livro de Henrique Castriciano com que ela me presenteou com muito carinho e pretendo escrever brevemente uma crônica a respeito da série de textos “Os Imbecis”. Na lembrança guardo também a alegria de ter conhecido pessoalmente alguém que foi sinônimo de vitalidade, dedicação e alvo da mais justa admiração de todos nós. Uma pessoa que merece todo o destaque que teve em vida e continuará tendo sempre, não só por ser uma cidadã acima da média, não apenas por estar acima de todos nós, mas também por estar à frente.

Antonio Prata em Natal

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Corria o ano da graça de 2005, naquele tempo em que amarrávamos cachorro com linguiça e nos comunicávamos de maneira rudimentar, através de um instrumento ancestral aos modernos smartphones chamado PC (Personal Computer) de onde acessávamos uma ferramenta chamada "e-mail" (correio eletrônico), vivíamos o fenômeno incipiente das primeiras redes sociais. Resolvi aderir e entrei pro Orkut. Lá, encontrei pessoas que nunca pensei conhecer. E uma delas era um escritor, autor de dois livros que eu tinha lido em 2003: "As pernas da Tia Corália" e "O inferno atrás da pia". Ele coordenava uma comunidade sobre o escritor Campos de Carvalho de quem eu me havia convertido em fã recentemente. Interagi com ele, falamos um pouco e nos tornamos "amigos virtuais". 

Passou-se o tempo e, um ano depois, lancei meu segundo livro, "É Tudo Mentira!" E, ao conhecer os autores Xico Sá e Marcelino Freire, surgiu a oportunidade de um lançamento coletivo da Jovens Escribas em São Paulo. Convidei o meu amigo virtual e, para minha surpresa,... ele foi! Não só ele, vários outros escritores que eu lia e admirava à época, apareceram. Na ocasião, tiramos esta foto abaixo: 

 

Como demorei uns dias em São Paulo após o lançamento, ele me convidou para seu aniversário, tomamos umas cervejas algumas vezes, quando ele me apresentou outros escritores incríveis como o Chico Mattoso e o João paulo Cuenca. Depois, ele veio a Natal, participou do Encontro de Escritores do Dácio Galvão, demos uns passeios e, enfim, a essa altura, já éramos amigos. Uma grande honra para mim. 

 

O tempo passou mais e mais, ele foi se destacando, ganhando a merecida notoriedade dos que têm talento e fazem as escolhas corretas. Antonio tornou-se um escritor premiado, um roteirista requisitado (que inclusive, concorre a um Emmy em NY, mês que vem) e colunista do domingo da Folha de São Paulo. Mas nunca deixou de ser um cara incrível, generoso, gente boa e amigo dos seus amigos. 

 

Agora, em 2016, 10 anos após aquela primeira vinda a Natal, ele retornará. Passará um dia por aqui no qual vai me dar a honra de lançar um livro juntamente comigo (não, eu não sou co-autor, o livro é dele. Mas também vou lançar meu livro na mesma data e hora). Estou muito feliz em poder revê-lo, em poder proporcionar aos leitores de Natal, especialmente os apreciadores do gênero crônica, um lançamento deste que, para muitos, é um dos melhores cronistas brasileiros da atualidade. aproveito para convidar vocês todos. O lançamento será no Solar Bela Vista, dia 17 de novembro, a partir das 18h.

Quem quiser, pode confirmar presença no evento aberto no www.Facebook.com/jovensescribas: 

https://www.facebook.com/events/1442662229094961/

 

Coluna do Novo Jornal – 016 – Ponta Negra é minha praia – 11.12.2010

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Seguindo a sequência de publicações de colunas do Novo Jornal, mais uma coluna publicada há muito tempo. 

Divirtam-se!

Ponta Negra é minha praia

Foi lançada há pouco, a campanha “Ponta Negra é minha praia”. Uma iniciativa louvável para recuperar a autoestima dos moradores do bairro e dos natalenses em geral que assistiram o nosso principal cartão postal ser degradado pelo trio parada dura Vilma-Carlos Eduardo-Micarla. Aquela que tinha tudo para ser a nossa princesinha do mar, hoje, infelizmente não passa da nossa garotinha de programa do mar. Eu, como orgulhoso morador do bairro (“De dia é Ponta Negra / de noite é Black point.”, como canta o Dusouto) me identifiquei de imediato com a campanha. Colei o adesivo no pára-choque do carro, procurei reunir alguns amigos e ir ao encontro das ondas imediatamente, sempre disposto a cumprir com meu dever de cidadão do bairro, contribuindo civicamente com tão edificante campanha.

 

Aliás, nenhum programa é mais natalense do que ir a Ponta Negra no domingo. É uma tradição cheia de graves rituais que já começam nos preparativos e passam de geração em geração. É preciso dar alguns telefonemas e juntar uns itens básicos: frescobol, toalha, um livro pra quem é de livro e uma prancha pra quem é de surf.

 

No entanto, apesar de meu insistente apelo, alegando o amor pela praia da zona sul, o resgate de hábitos ancestrais e a oportunidade de contemplar mais uma vez o Morro do Careca, nenhum dos meus argumentos foi eloquente  o bastante para convencer meus amigos a me fazerem companhia. Suas escusas me pareceram um tanto alarmistas. Negaram-se, dizendo que o ambiente na zona sul não é nada aprazível para quem nasceu e cresceu em Natal. Teve um que falou inclusive que somos estrangeiros em nossa própria cidade e está cada vez mais insuportável ir a Ponta Negra. Respondi que eles estavam viajando na maionese e decidi ir sozinho de qualquer forma. Não sei de onde eles tiraram tantos disparates. Eu que não daria bola pra essas fofocas. Afinal, Ponta Negra é minha praia.

 

Estacionei muito próximo do mar, a uns 4 quilômetros, bem do lado de um hotel onde havia um congresso da Herbalife. Ao chegar na areia, com toalha em punho, procurei um pedaço de chão onde pudesse sentar-me e tomar um bocado de sol até que o calor acumulado provocasse em meu corpo uma necessidade irresistível, quase magnética, de entrar no mar,  dando início a um incessante movimento pendular entre as ondas e a areia. Porém, não havia chão nenhum que não estivesse ocupado pelos guardassóis e pelas espreguiçadeiras de aluguel. Aliás, havia sim uma faixa livre, por onde corria uma água escura e fétida do calçadão ao mar. Ponderei não sentar ali e acabei alugando uma barraquinha pelo preço módico de R$ 10.

 

Como estava só, levei um livro para me fazer companhia. Instalei-me comodamente e, assim que abri as páginas, um vendedor de artesanatos de durepox veio mostrar sua arte. Agradeci cordialmente, mas quando tentei novamente iniciar a leitura, o homem insistiu que eu examinasse todas as peças escondidas em seu balaio. Tentou até mesmo me convencer que aquelas eram algumas das maiores obras de arte já concebidas pelo homem, comparáveis aos afrescos da Capela Sistina, ao Pensador de Rodin ou à Quinta Sinfonia. Após muito insistir, o Michelângelo de dreadlocks, o Aleijadinho chapado pediu que eu, ao menos, segurasse um dos bonecos por alguns instantes. Assim o fiz, na esperança de que ele partisse depois desta leve concessão. Ledo engano. Declarou que, uma vez que eu havia posto as mãos em sua arte, teria que adquiri-la, pois a havia maculado com o toque de minhas mãos imundas. Tentei recusar, mas ele ameaçou permanecer ali, recusando-se a ir embora. Comprei um velho fumando um cachimbo. E o homem se foi.

 

Respirei aliviado e baixei novamente os olhos para o livro, quando um barulho ensurdecedor se anunciou. Era um vendedor de CDs Piratas curtindo algum desses formidáveis sucessos da Banda Grafith. Não sei se o carrinho do rapaz era patrocinado pelo Centro Auditivo Telex, mas ele parecia realmente disposto a fazer-se ouvir num perímetro que poderia ir de Tabatinga ao mercado da Redinha. Depois, chegaram outros ambulantes como ele, mantendo a combinação de falta de educação com mau gosto musical a estratosféricos decibéis. Dava até pra aferir uma parada de sucessos que ia dos mais sórdidos forrós, passava pelas canções carnatalescas, desembocava em Dire Straits e alcançava o clímax com as piadas de Zé Lezin, o artista teatral preferido da elite natalense. Apesar da barulheira, não me irritei. Ponta Negra é minha praia e é preciso levar na esportiva essa espontânea e efusiva demonstração de alegria explícita, musical e tropical.

 

Arrisquei mais algumas vezes iniciar a leitura, mas era sempre abordado por vendedores de rede, o carrinho do Camarão do Mato Grosso, tatuadores provisórios, palhaços sociais e até por um velho conhecido, um senhor deficiente que, desde que sou criança pede dinheiro para comprar uma nova prótese para a perna, pois a dele está velhinha. Das duas, uma: ou este senhor coleciona pernas a ponto de querer virar uma centopeia humana ou a que ele quer é tão cara que até hoje, 20 anos depois de ter começado a juntar dinheiro, ainda não pode comprar. Logo percebi que seria inútil tentar ler novamente e fui dar um mergulho no Atlântico.

 

A temperatura da água estava ótima. Dizem que são os coliformes fecais que a deixam assim: morninha. Aliás, tive a nítida impressão de ver alguns cardumes de coliformezinhos fecais nadando livremente ao meu redor. Que beleza que é a natureza, né não? Voltando revigorado da água, pude observar com mais atenção um grupo que estava instalado no gaurdassol vizinho ao meu. Eram senhores italianos bem simpáticos, animados, acompanhados de umas mocinhas brasileiras que pareciam ser suas filhas adotivas. Aquilo me comoveu bastante ainda mais quando percebi o carinho com que os homens tratavam as filhinhas. Algumas carícias pareciam até íntimas demais segundo nossa cultura conservadora, mas gostei da atitude caridosa daqueles senhores. E olhe que os italianos são muito discriminados por aqui, pelo visto, injustamente.

 

O sol já ia quase alcançando o zênite, quando resolvi ir embora. Saí poucos instantes antes de uma dupla de violeiros chegar a minha barraca, vendendo emboladas. Uma pena. Perdi essa, mas tinha que ir. Estava tarde. É sempre uma pena ir embora dali. Porque Ponta Negra é minha, é nossa. E ainda tem gente que não gosta. 

Não contém glúten!

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Não contém glúten!

Há um novo tipo de homem por aí. Uma nova espécie de metrossexual que só come alimentos saudáveis, produtos light, diet, sem glúten ou lactose. Os antropólogos ainda não se deram conta, os sociólogos também não, os psicólogos talvez. Nem mesmo o Xico Sá percebeu ainda este novo homem ainda não catalogado, este Cristiano Ronaldo tomador de shake, aminoácidos e derivados do açaí. Este amigo do espelho que trocou o creme para cotovelos por batom de manteiga e cacau para não ressecar os lábios durante a malhação e o gel nos cabelos por gel de vaselina a fim de evitar assaduras durante a corrida.

Este novo homem que anda por aí, co-habitando este planeta, respirando o mesmo ar que nós, homo-sapiens convencionais (mais ofegantes, algumas vezes), frequentando os mesmos lugares (principalmente academias, seções de hortifrúti e farmácias) e comunicando-se numa linguagem humana, apesar de repleta de neologismos de origem incerta, como whey, amino, isotônico, e todo um vocabulário baseado no consumo de substâncias revigorantes e potencializadoras de desempenho.

Este novo humanoide ainda não registrado tem causado controvérsia entre os que já notaram sua chegada. Não se sabe se é um novo degrau na escala evolutiva ou um ponto fora da curva, um escorregão, uma mutação que não se safará da implacável seleção natural, comandada pela única lei que não se revoga: a da natureza. A questão é que este novo modelo de ser humano (que muitas vezes, faz bico de modelo mesmo) está aí para quem quiser ver, desfilando seu corpo sarado e suado, tomando açaí pra dar mais energia e soltando puns com essência de clara de ovo, oriundos do grande volume de Albumix ingerido.

É o chamado de “Homem Glúten”, que recebeu esta alcunha, aliás, exatamente por NÃO ingerir nada que contenha glúten, seja lá o que seja esta tão falada, mas pouco conhecida substância, elemento fundamental do vocabulário alimentar atual e componente indispensável à paranoia saudável que surge poderosa e irrefreável diante da vida moderna.

O “Homem Glúten” não come glúten, mas não só isso. Há toda uma infinidade de itens a serem evitados pelo seu código de conduta moral cujo restrito cardápio permite pouquíssimos alimentos, uma vez que há uma extensa lista de proibições. A lactose, por exemplo, é outra séria limitação autoimposta por este obstinado adepto da prática desportiva e da pureza, que vai do ascetismo ao atletismo, rápido e desenvolto.

Amante da leitura, o “Homem Glúten e Lactose” aprecia uma literatura bem específica: não perde um rótulo de produto ou composição clórico-protéica de embalagem. Também procura consumir produtos com baixo índice de gordura, temperados frugalmente e consome tanto peito de frango que dá pra sustentar toda a cadeia produtiva da avicultura por várias gerações.

Está sempre pesquisando as novidades. Novas marcas de produtos, a torrada integral sem adição de amido, o biscoito de arroz integral sem sabor de nada, o suco verde de clorofila com abacaxi, hortelã e vagem, ou a banana desidratada que vai muito bem com o iogurte ateniense sem gosto de iogurte. Tudo muito nutritivo e incontestavelmente saudável. Porém, com a mesma emoção de dançar lambada com a irmã.

E por falar em “integral”, esta é uma palavra bastante em moda e quase obrigatória nas refeições livres de glúten, lactose ou sabor. O arroz, o macarrão, o pão, os biscoitos e até a pizza têm que ser tão íntegros que deveriam apresentar currículos comprovando idoneidade antes da ingestão. Os temperos passam a receber atenção especial. Os cozinheiros e chefs costumam ser consultados sobre modos de preparo de alguns pratos, em perguntas cheias de curiosidade, pedindo detalhes pormenorizados e minúcias de investigador da polícia civil.

O metrossexual alimentar também curte um bom par de tênis com amortecedores especiais e mais cores que a escala Pantone e os quadros do Romero Brito juntos. Também aprecia uma blusa que valorize o volume peitoral e evidencie seus bíceps, carinhosamente esculpidos em seguidas séries de levantamento de barras. Sem falar na profunda emoção que sente ao entrar numa sala cheia de espelhos.

O contrário do “Homem Glúten e Lactose” é aquele que “Come de Tudo”, o equivalente ao machão do mundo alimentar, aquele que traça uma macarronada a qualquer hora do dia, que se amarra numa carne vermelha e que devora arroz, feijão e ovo frito com gema e tudo (mole, faz favor). Este herói, destemido e inconsequente, é um homem à moda antiga, que não sabe o que é glúten, que toma leite, come hambúrguer e se esbalda numa panelada, churrascada, caldeirada ou rabada. Este comportamento nada seletivo deixa o “Homem Glúten e Lactose” fora de si. Ele simplesmente não entende como alguém pode agir assim em pleno século 21 com tanta informação disponível a respeito do que se pode e o que não se pode comer. Ao ver um “Homem que Come de Tudo” devorar uma picanha mal passada, ele faz cara de nojinho, torce a boca e declara solenemente: “Eca!”

Se for confirmado que o “Homem Glúten e Lactose” veio pra ficar, é possível que todos nós que insistimos em nos alimentar de forma, digamos, rudimentar (para não dizer primitiva) sejamos descontinuados pela seleção natural. Como um automóvel que sai de linha ou um aparelho tecnológico obsoleto. Seremos eliminados, como um dia foram nossos antepassados das cavernas para dar origem a versões mais modernas e melhores de primatas: nós. Agora, seria a vez do Homo Saudabilis, este previdente e novo ser humano a nos tirar de circulação. 

Bem, se for esta a vontade da natureza, que seja! Que se há de fazer? Mas que seria uma tremenda injustiça, além de uma enorme contradição, não há como negar. Porque o “Homem que Come de Tudo” é muito mais versátil e, em tese, teria maiores chances de sair vivo em tempos de privações extremas e catástrofes de grandes proporções. Ou você acha que, no caso de uma tragédia natural, a gente não precisaria de uma maior variedade de repertório, tendo de comer a primeira coisa que surgisse em nossa frente? À base de barrinha de cereal é que a gente não ficaria. 

Mas tudo isso é especulação. Não se sabe se ele veio pra ficar, se vai tomar o nosso lugar, se vai seguir em frente ou desaparecer. Seja lá para onde for, só há uma certeza: ele vai correndo. Só deve parar um bocadinho se encontrar um espelho ou uma loja Mundo Verde pelo caminho.