Secretário pede projetos para o desenvolvimento

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A alternativa para o desenvolvimento, mesmo em tempos de crise econômica, é o investimento. E o Rio Grande do Norte pode conseguir avançar neste aspecto, desde que se criem projetos e haja maior diálogo entre o poder público e o privado. Foi esse o norte apontado pelo secretário de Desenvolvimento do estado, Flávio Azevedo, na palestra que proferiu a pouco mais de 40 convidados da edição do seminário NOVO RN, realizada ontem (24), no Hotel Hollyday Inn.

 
Flávio Azevedo afirmou, por exemplo, que o governo conta com R$ 110 milhões a disposição para projetos, através do programa RN Sustentável,  mas eles precisam ser bem justificados e importantes, não apenas para o empreendedor, como para o Estado. “Existem nichos em que os empresários precisam estar atentos, porque há oportunidades”, avaliou.

 
De acordo com o secretário, a parceria do Estado com a iniciativa privada – através das federações e demais entidades representativas - é importante, porque o país se encontra em um novo momento econômico. O Estado nunca teve recursos próprios para investimento e até as fontes dos investimentos financeiros precisam ser substituídas.

 
“O desenvolvimento demanda investimentos, projetos em infraestrutura, obras e logística. No caso do RN, o grande empecilho sempre foi a falta de recursos para investimento. O que a gente tem é para pagar a folha e a dívida. A alternativa era buscar em Brasília. O que nos salvava era a qualidade de nossa bancada, que conseguiu recursos embora tivesse menor número. A realidade agora é outra. O governo federal também não tem mais dinheiro. Vivemos um momento atípico”, avaliou.

 
Como regra básica, Flávio Azevedo afirma que o estado precisa criar projetos e apresentar “um cardápio”, na busca de vencer os desafios impostos, especialmente a falta de confiança dos investidores. 
“Temos que ir atrás do dinheiro. Vamos fazer projetos, parcerias e oferecer”, pontuou.

O que ainda dificulta o desenvolvimento, na visão do gestor e dos empresários que participaram do evento, é a insegurança jurídica, assunto que demandou bastante tempo do debate que ocorreu após a palestra. “O dólar pode estar R$ 10. Se o investidor não tiver segurança jurídica e confiança, ele não vai investir aqui”, comentou Azevedo. 

 

TALIBÃS

O secretário criticou em especial a atuação do Ministério Público do Meio Ambiente, o qual classificou como “muro burro contra o desenvolvimento” e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama).

 
Para ele, os órgãos são compostos, em parte, por “talibãs”. Ele defendeu seu posicionamento afirmando que nenhum empresário pretende ser contra o meio ambiente, “até porque o público hoje cobra isso”. Apesar disso, há posicionamentos que acabam prejudicando o desenvolvimento. “São pessoas que vão buscar na ecologia motivos falaciosos que atendam suas visões políticas”, criticou.

 
Foram citados R$ 11 bilhões de reais em investimentos, que o estado deixou de receber na última década, por motivo de desistência causada pela insegurança. Para garantir a segurança jurídica, ele disse que é necessária a criação de leis, como a que foi feita na carcinicultura.

 
Por outro lado, Flávio avaliou que o governo estadual acertou ao nomear o diretor do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema), Rondinelli Oliveira. “Apesar de estar preso por uma legislação equivocada e antiga, ele tem feito um ótimo trabalho”, disse.

 
“O governador pode até não conseguir mudar o estado, mas tem mudado usos e costumes do RN”, concluiu.