Planos para o esporte natalense em 2017

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Nos últimos anos, Natal tem sido palco de grandes eventos esportivos. Além do jogo da Seleção Brasileira de Futebol Masculino no ano passado (que teve participação prioritária por conta da relação entre FNF e CBF), as seleções de futsal masculino, de vôlei de quadra feminina, além do circuito de vôlei de praia também passaram pela capital potiguar em tempos recentes. Mas essa tendência deve diminuir. É o que garantiu o secretário de Esporte e Lazer (Sel) Carlos Eduardo Nascimento, conhecido como “Dadau”, que concedeu entrevista à reportagem do NOVO.
 
“Todo evento grande tem uma contrapartida muito acentuada na prefeitura. E nesse instante eu tenho a impressão que qualquer coisa que a gente possa trazer, uma seleção de voleibol, de futsal, tem uma contrapartida muito grande. E nessa hora a gente não tem condição de fazer isso não. A gente precisa ter uma certa parcimônia”, avaliou.
 
A questão é simples: a crise financeira que passa a Prefeitura do Natal. “É complicado. A Secretaria de Esportes enquanto Secretaria de Esportes só trabalha com eventos. E  para isso tem que ter recursos. Então a gente tem que ir com muita paciência. Não dá pra você sacrificar os fornecedores. Não depende da gente, depende de um processo de repasse financeiro, que a gente não tem essa autonomia. A gente precisa ir com muita cautela e não afundar a prefeitura num processo de dívida muito mais sério”, destacou.
 
“Dadau” está no cargo desde abril de 2016, quando saiu o antigo titular da pasta, Luís Eduardo Machado. Segundo ele, durante todo o ano, a secretaria manteve o foco em promover eventos de diversos esportes, “principalmente nas artes marciais”, além de seguir com o projeto de manutenção de quadras e praças esportivas pela cidade.
Ao todo, a SEL participou de 94 eventos esportivos, segundo o titular da pasta. “São eventos que envolvem muita gente”, avaliou. “A gente também tem quatro eventos que são nossos, que são as copas de Futebol. O sub-15, sub-17, Copa dos Campeões, que são os campeões dos bairros, e a Copa Feminina”, destacou Dadau.
 
As reformas de quadras são “periódicas e sistemáticas”, segundo explica o secretário.  “Na verdade, quando você termina de fazer a última quadra já tem que começar a primeira”, explicou. Ao todo, 42 quadras foram licitadas, mas nem todas passaram por reforma em 2016. Assim, as reformas seguirão neste ano. Mas o secretário Carlos Eduardo Nascimento se queixa também da atenção das comunidades quanto à preservação dessas praças esportivas. 
 
“Primeiro porque não tem manutenção adequada, é difícil fazer. E segundo: a comunidade não ajuda. Essa é a verdade. Haja visto que a gente entregou esse bicho aqui [o Palácio do Esportes] e ele está todo rabiscado. Ou seja: quem é pra tomar conta, ter o sentimento de pertencimento, não tem”, destacou.
 
Ao todo, segundo o secretário, a Prefeitura tem 94 quadras esportivas espalhadas por toda Natal, além de 22 campos de futebol e os “campos de areia, a gente nem conta”. “Mas a manutenção é bem complicada”, destaca.
 
Pista de skate é meta da SEL
 
Entre as ideias do secretário Carlos Nascimento, o “Dadau”, para 2017 está a criação de um Skate Park - um espaço semelhante ao que existe no Presépio de Natal, ao lado do Ginásio do DED. 
 
“Ou na zona Norte ou na zona Sul, na praia de Ponta Negra, porque existe uma carência muito grande. Hoje a gente tem o pessoal lá do presépio de Natal, naquela região que é do Governo do Estado, vizinho ao ginásio do DED, que tem muita gente. E na zona Norte a gente tem no entorno do Nélio Dias. A gente precisa estabelecer uma área, que eu acho que é interessante”, destaca o titular da pasta.
 
Apesar disso, a princípio não há projetos relacionados à criação de um espaço parecido. Até porque o próprio Carlos Eduardo Nascimento não sabe se continua na pasta com a reeleição do prefeito Carlos Eduardo, que fará mudanças no secretariado até fevereiro deste ano.
 
Apesar disso, acredita em continuidade dos projetos implementados até agora, principalmente em relação aos eventos esportivos das diversas categorias. Mas, ainda assim, pensa em projetos pro futuro. Dadau avalia como importante a criação dos “Jogos Abertos de Natal”, algo semelhante ao que acontece no Estado de São Paulo com os Jogos Abertos do Interior, um dos principais eventos esportivos de diversas cidades e que já contou com transmissão televisiva para todo o Brasil.
 
“Tem que ficar alguma coisa institucional pra quem chegar aqui continuar. E é um projeto nosso transformar as Copas de futebol que promovemos nos ‘Jogos Abertos de Natal’. Pegar as regiões administrativas, com centros esportivos ou associações, e fazer uma grande Olimpíada”, explicou.
 
Principal obra de 2016 foi o Palácio dos Esportes
 
Em 2016, o Palácio dos Esportes teve a reforma finalmente concluída. O ginásio - um dos mais tradicionais de Natal - tinha fechado as portas em setembro de 2013 para iniciar uma reforma completa em toda parte estrutural. Três anos depois, em agosto de 2016, isso chegou ao fim. Para Carlos Eduardo Nascimento, essa talvez seja a principal obra deixada no ano que terminou. 
 
“Depois de três anos na peleja, a gente conseguiu reabrir o Palácio dos Esportes. Ficou um equipamento de primeira linha. Apesar de ser antigo, ele ficou totalmente novo. Foi feito toda uma parte de reforma em concreto, instalações elétricas, cadeiras”, destacou. 
 
O ginásio inclusive fez parte do evento do recebimento da tocha paralímpica na cidade no início do mês de setembro, quando recebeu um show do maestro João Carlos Martins.
Além disso, ele destacou um Centro de Iniciação ao Esporte que a SEL já tem o contrato licitado com uma verba do Governo Federal, mas não deu início à obra por um problema judicial, já que o terreno destinado à obra não pertence mais à Prefeitura.
 
A gente tem uma obra do ciclo de iniciação ao esporte, licitada e contratada, que a gente está emperrada com uma pendenga judicial com a Datanorte. “Toda obra federal a titularidade do terreno tem que ser de quem está contratando, ou seja, da Prefeitura. Aquele terreno do Nélio Dias, o Governo do Estado deu a titularidade à Prefeitura e logo depois, não sei o que aconteceu, isso foi cancelado. Isso em 2007. Quando foi agora que a gente precisou dessa certidão ser atualizada pra gente construir o Centro de Iniciação ao Esporte, que seria lá vizinho, isso foi negado, porque o cartório disse que não pertencia mais à Prefeitura”, destacou.
 
A questão, por isso, só poderá ser resolvida por vias judiciais. “Nós estamos acionando a Procuradoria, para que ela tome ciência do processo e faça a nossa defesa pra gente recuperar.  Vai demandar um tempinho, mas eu tenho a impressão que não tanto. Mas acho que em 2017 a gente resolve, até porque é o Governo Federal. Já está tudo arrumado, só falta agora resolver esse imbróglio aí”, explicou.