Ministro da Educação suspende terceirização do Enem

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O ministro da Educação, Mendonça Filho, suspendeu a transferência do controle do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para uma organização terceirizada. Ele não assinou um contrato aditivo para que a Organização Social Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe) passasse a ter o controle das operações relativas às provas. Mendonça Filho teria avaliado o valor de R$ 2 bilhões previstos no aditivo como "absurdo e injustificável", frente ao contingenciamento previsto para a pasta no governo do presidente em exercício, Michel Temer. Na edição mais recente, o valor do Enem ficou em R$ 405 milhões, ante R$ 452 milhões em 2014.

No ano passado, ainda no governo Dilma Rousseff, o ex-ministro Aloizio Mercadante iniciou as tratativas de firmar o termo aditivo, para que a contratada passasse a ter o controle das operações relativas tanto ao Enem quanto ao Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja), além do Certificado de Proficiência em Língua Portuguesa para Estrangeiros (Celpe-Bras) e do exame que permite a criação do banco de questões do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). O atual gestor da pasta não quis dar prosseguimento às intenções de seu antecessor. A negativa faz parte de uma espécie de "pente-fino" que o novo ministro solicitou à Consultoria Jurídica do MEC para reavaliar as decisões de Mercadante e, se for necessário, até mesmo anulá-las

Para além do alto custo para o orçamento apertado do ministério, a equipe técnica de Mendonça Filho interpretou o aditivo como uma "privatização do Inep, com a entrega do monopólio da gestão das avaliações para uma única empresa privada". Outros gestores do MEC avaliaram que a assinatura significaria "o total esvaziamento" do instituto que cuida do Enem.

Principal porta de entrada para o ensino superior público no Brasil, o Enem não deve ter o cronograma alterado. As provas serão realizadas nos dias 5 e 6 de novembro e as modificações "não comprometem em nada" o andamento do exame, de acordo com a pasta.

A parceria entre a antiga Cespe (hoje Cebraspe) e Cesgranrio, que deve continuar, passou a ser utilizada pelo Inep justamente em uma situação de instabilidade dentro do ministério. Em 2009, as duas bancas foram contratadas em regime de urgência para, em parceria, aplicar o exame, depois que o Estadão revelou a fraude do vazamento da primeira versão da prova, inicialmente preparada pelo consórcio Conasel. Desde aquela época, ambas atuam sem necessidade de licitação, uma medida amparada por acórdão do Tribunal de Contas da União (TCU) que concluiu pela legalidade da contratação direta. Na época, com a fragilidade provocada pela quebra de sigilo do Enem, o governo argumentou que o exame precisava ser elaborado por "empresas de excelência". O contrato de gestão entre União e Cebraspe, com interveniência da Fundação Universidade de Brasília (FUB) e do Inep, foi celebrado em 2014 e está previsto até 2019. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Instabilidade política afeta economia, diz Meirelles

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O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou nesta terça-feira, 6, ser "evidente" que a instabilidade política causa "incertezas" na economia. Ele espera, porém, que o Senado cumpra o cronograma de votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Teto de Gastos, marcada para a próxima terça-feira, dia 13.

As declarações foram feitas na tarde de terça durante evento na sede da União Geral dos Trabalhadores (UGT), em São Paulo. Ele apresentou a proposta de reforma da Previdência aos sindicalistas no mesmo dia em que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), se recusou a deixar o cargo após decisão liminar do ministro Marco Aurélio Mello. Renan controla a pauta da Casa.

Questionado se a instabilidade política atrapalha a economia, Meirelles disse que a expectativa do governo é de que a votação da agenda econômica seja respeitada. "É evidente que (a instabilidade política) gera algumas incertezas, mas é difícil dimensionar isso neste momento. Os mercados estressaram um pouco, depois se acalmaram um pouco. O importante é que a agenda de votação no Senado prossiga normalmente", afirmou o ministro.

"O calendário de votação da PEC já é objeto de acordo de líderes Vamos aguardar o pronunciamento do presidente em exercício do Senado, o senador (Jorge) Viana (PT), e a partir daí vamos ver. Nossa expectativa é de que vai ser votado normalmente, que o acordo (de líderes) será seguido", afirmou Meirelles.

Opinião

O ministro reconheceu, no entanto, que Viana e o PT têm uma postura contrária à PEC. "Todos sabemos a opinião do partido em relação a isso, o debate já existe há bastante tempo. Vamos aguardar como ele vai definir o prosseguimento da votação", disse. 

Meirelles lembrou que a votação da PEC em primeiro turno teve apoio de ampla maioria dos senadores. Foram 61 votos a favor da proposta e 14 contra - eram necessários 49 votos para aprová-la. A votação em segundo turno foi acertada entre líderes das bancadas e Renan Calheiros.

De acordo com o ministro da Fazenda, o governo Michel Temer não mudou sua programação em relação à reforma da Previdência, ou seja, o Palácio do Planalto espera aprová-la no primeiro semestre de 2017. 

Meirelles afirmou que a PEC do Teto, que impõe um limite aos gastos públicos pelos próximos 20 anos, e a reforma da Previdência vão impulsionar a confiança e isso é um fator relevante para a retomada da economia da brasileira - em recessão pelo sétimo semestre seguido.

Prazos

Nesta terça, o adiamento da sessão plenária do Senado levou ao cancelamento da votação do projeto de lei para atualizar o crime de abuso de autoridade e estendê-lo para integrantes do Ministério Público e Judiciário. Ainda não está definido quando o texto será discutido novamente na Casa.

Em relação à PEC do Teto, o cancelamento da sessão não interferiu na contagem do prazo para o segundo turno. A PEC se encontra em fase de interstício, que é contado em dias úteis. Dessa forma, o cancelamento da sessão não interfere na contagem do prazo. 

A partir desta quarta-feira, 7, a PEC do Teto entra na pauta de votação do plenário do Senado, onde deve aguardar novo prazo, este, sim, contado em sessões deliberativas. Com isso, a PEC terá de passar por três sessões de discussão antes de ser votada

No calendário do Senado, é previsto que as sessões de discussão sejam realizadas na próxima quarta, quinta e terça-feira. Em caso de sessões canceladas, os senadores podem abrir sessões extraordinárias na sexta ou na segunda-feira para evitar atrasos Ainda, em último caso, os senadores podem fazer um requerimento para suspender os prazos e votar urgentemente a PEC. 

Executivo quer cortar R$ 4 milhões com servidores cedidos

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Sem a ajuda financeira solicitada à União como compensação pelas perdas no Fundo de Participação dos Estados (FPE) nos últimos anos, o que renderia uma bolada de cerca de R$ 700 milhões, a equipe econômica do governo do Rio Grande do Norte ainda estuda saídas para tentar equalizar gastos e receitas.
 
 Uma das alternativas avaliadas é exigir que os demais Poderes arquem com os salários dos servidores cedidos – o que representaria mais de R$ 4 milhões a menos na folha de pagamento do Executivo por ano. Afinal são mais de mil funcionários distribuídos entre Assembleia Legislativa (AL), Ministério Público (MP), Tribunal de Justiça (TJ), Tribunal de Contas (TCE) e prefeituras potiguares.
 
Somente o Legislativo teria cerca de 200 servidores cedidos. A Justiça, outros 150. O próprio governador vem conversando com os presidentes dos órgãos há cerca de dois meses para buscar um acordo. 
Ao mesmo tempo, a equipe econômica busca alternativas para diminuir a inadimplência tributária, estimada em R$ 800 milhões. O governo também aguarda a repatriação de recursos federais, apesar de ninguém saber ao certo quanto isso vai render às unidades da federação, na partilha dos tributos. De acordo com estimativas do governo federal, o RN poderia ficar com um valor entre R$ 300 e 700 milhões, o que seria um alívio para as contas estaduais.
 
Durante toda a semana, em reuniões com uma comissão interna e com outros governadores do Nordeste, Robinson Faria (PSD) também avaliou a possibilidade de decretar estado de calamidade das contas públicas. Para seus auxiliares, essa é a única solução administrativa viável. 
O problema é que o estado já enfrenta hoje dificuldade para pagar os salários e mudar data dos pagamentos. Até o início dessa semana, por exemplo, ainda não havia depositado o mês de agosto dos pensionistas que recebem acima de R$ 4 mil. A folha mensal gira em R$ 426 milhões. Ao mesmo tempo, a gestão se defronta com uma queda real de 4,3% da arrecadação própria e de repasses, o que representa cerca de R$ 300 milhões. Somente o FPE registrou queda de 9,47% até agosto, frente ao mesmo período do ano passado. A arrecadação própria teve redução de apenas 0,92%.
 
Apesar da crise, o governador Robinson Faria tenta evitar, junto com seus auxiliares, ter que demitir servidores estáveis e não estáveis – uma solução recomendada pelo próprio Ministério Público Estadual para que o estado fique abaixo do limite estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal para o gasto com pessoal (49% das receitas). A avaliação, nos bastidores, é que o gestão teria um desgaste de imagem com a medida que deverá evitar ao máximo.
 Na última quinta-feira, o governo publicou no Diário Oficial do Estado contingenciamento de R$ 48,216 milhões em empenho para o quarto bimestre do ano entre todos os poderes diante da frustração de receita na ordem de R$ 242 milhões.
 
Empréstimos ajudam, mas não resolvem. Censo e auditoria devem incrementar receita
 
 
Na última semana, o ministro Henrique Meireles informou que, mesmo sem os recursos solicitados, os estados contariam com a liberação de R$ 20 milhões para empréstimos. Somente o Rio Grande do Norte aguarda a liberação de R$ 800 milhões no Banco do Brasil. O projeto está na Secretaria do Tesouro Nacional, aguardando parecer justamente do ministro da Fazenda, para ser apresentada no próximo dia 27 ao Conselho Monetário Nacional. Sendo liberado, o processo vai ao banco, onde o estado terá que apresentar todas as certidões para garantir a liberação de recursos federais.
 
Apesar de ser uma notícia considerada positiva, o secretário André Horta alerta que a liberação dos empréstimo muda o foco da discussão. Até porque os empréstimos são para investimentos. “É diversionista. Uma coisa não tem a ver com outra. Os estados precisam sim dos empréstimos para investimentos, mas o problema que estamos debatendo é outro. A gente precisa de dinheiro em caixa, agora, para pagar servidores. Os empréstimos são exclusivos para investimentos, que vão trazer retorno, mas em alguns anos. Estamos precisando de dinheiro neste mês”, aponta.
 
Para o secretário de Administração Recursos Humanos, Cristiano Feitosa, o estado ainda deverá encontrar certa economia no resultado do censo dos servidores estaduais e da auditoria da folha de pessoal. Foram retirados mais de 1500 servidores, que respondem agora por abandono de cargo. Uma comissão foi formada nessa semana para agilizar os processos administrativos a respeito de irregularidades nos salários e gratificações pagas acima do devido. “Todos os meses vai tendo alguma redução nesses processos”, explica.
 
Por outro lado, mesmo sem conceder aumento, a folha cresce organicamente, devido aos adicionais por tempo de serviço, progressões automáticas e ações judiciais que obrigam isso. Para baixar o gasto ao ponto de deixar o estado dentro dos limites da LRF, com as receitas atuais, o estado precisaria reduzir um percentual de 1,8% da folha, que representa R$ 8,1 milhões por mês. O governo ainda tenta, pressionando a equipe política do governo Temer, conseguir a liberação da ajuda financeira, ou pelo menos a antecipação, em dois meses dos recursos oriundos da repatriação.
 
 
***Leia matéria completa na edição impressa do NOVO deste domingo (25)***

Próximo das eleições, candidaturas no interior do RN seguem indefinidas

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Movimentado também será o dia de hoje em Mossoró porque a ex-governadora Rosalba Ciarlini (PP) e o atual prefeito da cidade, Francisco Júnior (PSD), marcaram para o mesmo dia suas convençoes partidárias e confirmam quem serão seus vices.
 
Lá, o PSDC homologou no domingo passado (31) o nome do professor Josué Moreira e da vice, a cirurgiã dentista Karliana Fernandes (PSOL) e o PCdoB junto ao PT também formalizaram os seus nomes tendo Gutemberg Dias para a prefeitura e Rayane Andrade, como candidata a vice-prefeita. Foi confirmada ainda a candidatura de Tião Couto (PSDB)com Jorge do Rosário (PR).
 
Pelos outros municípios as convenções partidárias ainda estão acontecendo. Na região metropolitana, Parnamirim já teve a confirmação do candidato da situação, Rosano Taveira (PRB) e da vice Elienai Cartaxo (PTN) desde o dia 23 de julho. Já o PSD oficializou, no último domingo (31), o nome do deputado estadual Carlos Augusto como candidato à prefeitura e do vereador Gildásio Figueredo, do PSDB, como vice na chapa. No mesmo dia foi a convenção do PSOL que homologou o professor Tita Holanda e sua vice Francisca Oliveira (REDE).
 
A cidade terá ainda hoje a convenção do PSB, para oficializar o nome de Ricardo Gurgel como candidato a prefeito e do vice Pr. Sandoval Gonçalves (PRP) - este que deve indicar o candidato a vice, com o Pr. Sandoval Gonçalves.
 
Em Macaíba, o atual prefeito Fernando Cunha (PSD) homolou sua candidatura a reeleição, tendo Auri Simplício (DEM) como vice. A cidade conta ainda com a candidatura de Kátia Sena (PRP) e de Marília Dias (PMDB), além da possibilidade do delegando Normando Feitosa (PR) também disputar.
Em São Gonçalo do Amarante a eleição deve ficar polarizada entre a situação com Paulinho Emídio (PR) com Eraldo Paiva (PT) sendo o vice, e Poti Neto (PMDB) com a vice Tereza Fernandes (PSD).
 
No município de Ceará-Mirim ainda há indefinições. A oposição já se uniu em torno da candidatura de Júlio César (PSD) cujo vice será Irmão Heriberto (SD), mas a situação ainda precisa confirmar Marconi Barreto (PSDB) e seu vice.
 
No Seridó, em Caicó, um fato curioso: todos os candidatos serão homologados pelos seus partidos no mesmo dia. As convenções foram agendadas para amanhã (5). Lá disputam Judas tadeu e Deibe Dantas, ambos do PROS; Nildson Dantas (PSD) e Assis da Cosern (PTN); Roberto Germano (PMDB) e Alex Dantas (PT do B); João Braz (PC do B) com vice a definir; Batata Araújo (PSDB) e Marcos Manhoso (PP).
 

Márcia quer mudar gestão ‘feijão com arroz’ de Carlos Eduardo

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Depois de um semestre de mudanças na sua vida política, a deputada estadual Márcia Maia terá seu nome homologado na próxima quinta-feira (4) pelo PSDB para disputar a prefeitura do Natal. Ela entra no pleito em oposição ao prefeito Carlos Eduardo, ex-aliado, considerando que a gestão dele é o tipo "feijão com arroz". Segundo a pré-candidata, a atual administração municipal não evoluiu em políticas públicas, especialmente na segurança e saúde, áreas que considera prioritárias no momento.
 
A deputada tucana diz que deixou de apoiá-lo por culpa dele próprio, que preferiu isolar seu grupo na administração municipal e, por isso, ela propõe fazer o serviços públicos funcionarem. Márcia Maia, filha da atual vice-prefeita de Natal, Wilma de Faria, analisa que não houve avanços na gestão do prefeito Carlos Eduardo. "Os projetos já existiam e estavam aprovados desde a gestão passada, só faltava desbloquear os recursos. A gestão do prefeito Carlos Eduardo é uma gestão 'feijão com arroz' que não avançou; os serviços públicos não avançaram com eficiência", avalia.
 
Ela destaca que a área da saúde deixa a desejar no atendimento da saúde básica pois tem visto e ouvido em diversas comunidades reclamações sobre a falta de atendimento neste setor básico. "Não adianta investir em hospital e deixar a população sem o atendimento imediato. Nos postos de saúde faltam médicos e, por isso, a população sobrecarrega os hospitais porque a atenção básica não esta funcionando por falta de gestão, de prioridade. Não sei se a prioridade é maquiar os principais corredores para dar a impressão de que (a cidade) está limpa e organizada", critica.
 
Outra área que para Márcia precisa ser priorizada é a segurança pública, mesmo sendo esta de competência maior do estado. Ela sugere que se valorize e amplie o trabalho do Guarda Municipal para trabalhar em conjunto com as polícias. Porém, reclama: o prefeito Carlos Eduardo não dialoga com o governador. "Ele já o considera inimigo para 2018, isso porque usa Natal como trampolim eleitoral, mas a responsabilidade com a segurança é de todos", diz, relembrando que há equipamento público na capital que já foi assaltado 21 vezes.
 
O papel da Guarda Municipal não está sendo cumprido devido a falta de prioridade do prefeito, sentencia da deputada. Segundo ela, tem que se fortalecer o papel da Guarda, como em São Paulo, em que a corporação age com poder de decisão em algumas situações sendo a "guarda delegada", em parceria com a polícia militar", relata. Para a pré-candidata do PSDB, a iluminação pública deficiente é outro aspecto da gestão que a atual administração precisa mudar e ajudar a inibir a ação dos bandidos. "Não vai resolver, mas inibe a ação de criminosos, assim como a ocupação do espaço público. Praças estão abandonadas em todas as áreas da cidade, especialmente onde há os bolsões de miséria", constata.
 
Deputada estreia em disputa majoritária
 
prefeita Wilma de Faria (PTdoB), de quem tem total apoio, vai disputar no lugar do presidente de honra do partido, deputado Rogério Marinho, que abdicou do pleito. Márcia chegou ao PSDB em março passado, no final do prazo para candidatos ao pleito deste ano trocarem aos partidos. Ela saiu do PSB e argumenta que sua escolha pelo PSDB não foi condicionada à disputa das próximas eleições.
 
“Antes de entrar no partido eu já recebia o incentivo de algumas pessoas, amigos que acompanham meu trabalho há algum tempo, de comunidades insatisfeitas com a atual gestão e que precisavam de uma alternativa para Natal e quando entramos no PSDB houve uma movimentação interna porque (o partido) precisava de uma candidatura própria”, explica.
 
Rogério Marinho desisitiu e vai se dedicar a ampliar a legenda com mais de 50 candidaturas na majoritária e mais de 1.000 candidatos a vereador pelo estado, além de funções na Câmara Federal que tiraram sua disponibilidade para disputar as eleições, segundo Márcia. “Nesse contexto meu nome começou a ganhar força dentro do partido, atendendo a recomendação do partido de que aqueles municípios com mais de 100 mil habitantes deve ter candidatura própria”, relata a pré-candidata.
 
É a primeira vez que Márcia Maia disputa um cargo eletivo na majoritária. Ela está em seu quinto mandato na Assembleia Legislativa, mas destaca que tem experiência de gestão na área da assistência social, onde atuou como titular da Secretaria Estadual do Trabalho, Habitação e Assistência Social (Sethas), entre os anos de 2003 e 2005. Também foi assessora técnica da Secretaria das Regiões Administrativas do município do Natal, presidiu a Associação de Atividades de Valorização Social – ATIVA e foi Secretária de Trabalho e Assistência Social do município de Natal por três vezes.
 
“Na área da assistência social o governo municipal pode prevenir a violência com a política de geração de emprego e renda, qualificação profissional, microcrédito, como fizemos quando estivemos na gestão da assistência social. Tínhamos um trabalho muito forte nessa área e conseguimos tirar as crianças do lixão de Cidade Nova e isso ajuda a afastar as crianças do caminho da violência e das drogas”, aponta Márcia Maia.
 
A deputada diz sentir-se preparada para a disputa e que vai  manter o permanente diálogo com a população, uma falha da atual gestão que ela não cometeria. “Estou preparada e dialogando porque o diálogo precisa ser presente e vai continuar. Para ser bom gestor tem que escutar a população e nós vamos fazer o trabalho nessa direção para poder fazer parceria de acordo com o que a população deseja numa gestão ágil e moderna, que use bem os recursos públicos sem desperdiçar”, declara.
 
Mudanças políticas e o rompimento com o prefeito
 
Na pesquisa eleitoral Novo/98FM Consult, realizada no mês passado, Márcia Maia apareceu com 1.6% das intenções de votos, em oitavo lugar entre 13 pré-candidatos. A saída do partido que comandava em Natal e sua mãe, a vice-prefeita Wilma de Faria, dirigia no estado, se deu após a executiva nacional entregá-lo ao deputado federal Rafael Motta.
 
Márcia, Wilma e seguidores mudaram de partido. Ela acabou seguindo colegas deputados, inclusive o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (ex-PMDB), para o PSDB. Wilma seguiu para o PTdoB. “É preciso ficar claro que eu nunca havia trocado de partido. Em 23 anos, sempre me elegi pela mesma legenda, mas saí devido a uma situação constrangedora que nos foi imposta”, argumenta.
 
Ao mesmo tempo houve o desligamento de seu grupo com o Carlos Eduardo, que o PSB tinha ajudado a eleger prefeito, indicando Wilma para a vice-prefeitura. Mas o “casamento” acabou na “lua de mel”, segundo Márcia. “Tentamos colaborar desde o primeiro ano de gestão e não pudemos. Não desistimos no primeiro momento, queríamos colaborar e mostrávamos que estávamos nos sentindo subutilizados, mas o diálogo não existia”, relata.
 
Com a chegada do PMDB na gestão em 2014, que foi adversário de Carlos Eduardo nas eleições de 2012, começava a ficar explícito o plano do novo aliado e do prefeito. Hoje sabe-se que é o PMDB quem vai indicar o candidato a vice de Carlos Eduardo e que Wilma, a atual vice-prefeita, rompeu com ele. “Nos sentimos desprestigiados, escanteados e desolados assim como o povo de Natal também se sente. do fomos apoiá-lo, abrimos mão de uma candidatura própria, pois Wilma seria candidata, mas teve gesto de desprendimento e aceitou compor a chapa com ele. Tentamos ajudar a colaborar com Natal com a experiência, ideias, projetos, mas o prefeito não quis a colaboração de Wilma, não ofereceu espaço para Wilma participar e colaborar”, reclama Márcia, que vai escolher entre o PtdoB, de Wima; o PSDC, do vereador Joanilson Rego; o PMB e o PR, do vereador Luiz Almir para vice.

 

Avaliação de que Dilma já 'jogou a toalha' é equivocada, diz Cardozo

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O ex-advogado-geral da União e ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, negou ontem, 29, que a presidente afastada Dilma Rousseff tenha "jogado a toalha" no processo de impeachment. Cardozo disse que Dilma não está lutando porque gosta do poder, e sim por seu "amor pela democracia". Segundo ele, a presidente é inocente e precisa lutar por justiça. O ex-ministro também voltou a defender a tese de que não há pressuposto jurídico para a acusação contra Dilma.

Na reta final do processo, Cardozo considerou que a tramitação do processo na Câmara e no Senado foi marcada por altos e baixos, porém voltou a classificar o impeachment como um "golpe" à democracia e afirmou que diversos juristas do mundo todo estão denunciando a suposta "farsa". "Tenho visto manifestações no mundo todo de que esse processo é de uma fragilidade jurídica e política total. Mesmo as pessoas que não defendem o governo de Dilma, mas que gostam da democracia, são contra o impeachment", declarou.

Cardozo disse que o impeachment coloca a democracia do Brasil em cheque. "Independente de quem tem preferência pela presidência do governo Dilma ou do (presidente em exercício) Temer, nenhum país cresce onde as instituições permitem que um governo seja colocado para fora sem nenhuma razão para isso", avaliou. Caso o impedimento seja aprovado, em agosto, o ex-ministro afirmou que o resultado será "péssimo" para a imagem do País e para a economia. "Nenhum País cresce e se desenvolve se instituições não dão segurança jurídica."

A peça de alegações finais da defesa foi apresentada por Cardozo esta semana e, segundo ele, busca convencer os senadores do quanto a aprovação do impeachment pode ser prejudicial para o Brasil. "Se alguém admite ver alguém perdendo um direito dessa forma, e esse alguém sendo o presidente da República, com toda a divulgação, imagina o que vai acontecer com o cidadão comum. O cidadão que vê o presidente sendo colocado dessa forma, será que ele não teme pelos seus direitos e garantias? Acho que todos nós temos que temer pela violação da democracia."

LULA

Para Cardozo, o processo de Lula não deve interferir no impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff. Cardozo disse que tem "absoluta convicção de que Lula irá apresentar a sua defesa e provar a sua inocência". O ex-presidente é acusado de tentar obstruir a Justiça. "Esse é um processo criminal que está começando e o presidente Lula não teve ainda a oportunidade de fazer a sua defesa, agora ele terá a oportunidade de mostrar os fatos. Infelizmente as pessoas prejulgam quando lhes interessam", disse. "Talvez que venha essa situação para o bem, para ele mostrar o que realmente aconteceu, o que não podemos é prejulgar", defendeu.

Cardozo afirmou que há um tratamento diferenciado entre Lula e parlamentares da oposição, citando o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), com quem disse não ter uma boa relação, e o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (PSDB-MG). "No contexto político, dos partidos que estão defendendo o impeachment, quem não tem uma investigação em relação aos seus maiores dirigentes. O PSDB? O Aécio (Neves) não tem nenhuma acusação? Tem várias. O DEM? Vários senadores do DEM estão sendo acusados. Mas eu pergunto, é justo condenar o Aécio sem provas? Não. Assim como não se deve condenar o Lula. Não podemos ser parciais", disse.