Descontos serão mais comuns para compras à vista, prevê CDL

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Nos próximos meses, a maior parte dos lojistas potiguares deve começar a oferecer descontos entre 5% e 10% aos consumidores que optarem por comprar produtos à vista, segundo o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Natal, Augusto Vaz. Os descontos foram autorizados por uma Medida Provisória assinada pelo presidente Michel Temer em dezembro passado. Apesar de já estar em vigor, a ação ainda não trouxe grandes mudanças no comércio local.
 
“É muito novo. Como empresário e como consumidor ainda não estou percebendo grande diferença”, apontou Augusto Vaz. Apesar disso, ele acredita na popularização da prática do desconto nas vendas à vista. Isso era proibido em cláusulas contratuais entre as lojas e as operadoras de cartão de crédito. De acordo com o presidente da CDL, a prática existia, mas não era comum, porque muitos lojistas temiam enfrentar problemas pela quebra do acordo contratual.
 
Apesar disso, o presidente da CDL Natal acredita que os empresários vão preferir o desconto por causa da facilidade em lidar com o dinheiro em mãos. “As taxas cobradas pelas operadoras vão de 3% a 5% e o empresário só recebe após 30 dias. Ele prefere o dinheiro porque ele já está disponível para realizar transações e pagamentos da empresa imediatamente. A tendência é que eles (lojistas) venham a aderir o desconto. E o consumidor também sairá beneficiado”, avalia.  
 
Questionado se a prática do desconto seria comum em outros países, Vaz explica que, no caso dos Estados Unidos e do continente europeu, por exemplo, isso não seria necessário, porque lá as operadoras têm uma relação mais justa com os empresários. Para os estrangeiros, receber no dinheiro ou no cartão não tem tanta diferença no final. 
“Lá, a operadora cobra 0.5% de taxa e o dinheiro está na conta do lojista no dia seguinte. A mesma rede que atua aqui no Brasil tem uma relação totalmente diferenciada lá. Nesses patamares, não tem necessidade de gerar desconto, não vou dar um desconto de 0,5% ao consumidor”, pondera o lojista.
 
Gerente de uma loja popular de roupas, acessórios e produtos de cama, mesa e banho, no centro de Natal, Fátima Silva, conta que sempre ofereceu descontos para os pagamentos à vista, seja em dinheiro, no débito, ou até o vencimento. A nova medida do governo federal vem apenas oficializar algo que é praxe para a loja há 11 anos, de acordo com ela. No estabelecimento, o preço total do produto só é cobrado quando o consumidor resolve parcelar o valor das compras. 
 
Descontos ainda oscilam no comércio
 
“A gente oferece 15% à vista. Alguns clientes, quando sabem disso, optam logo por pagar à vista. Não temos como oferecer o desconto no parcelamento porque tem taxas, juros, que a loja tem que arcar. E são caros”, explica a gerente de loja Fátima Silva. Apesar dos estímulos aos consumidores, a crise econômica ainda é evidente para o negócio. Em dezembro, embora Fátima Silva tenha contratado funcionários temporários, as vendas representaram menos da metade do que foi vendido no mesmo período de 2015. “As pessoas ainda não voltaram a comprar como antes”, revela.
 
Rayane da Silva, gerente de uma loja de calçados localizada na avenida Rio Branco, na Cidade Alta, Zona Leste, conta que  as vendas também estão ruins, mesmo com as ofertas de início de ano – no período pós-festas. Há produtos com até 70% de desconto e, ainda assim, alguns vendedores encerram o dia “zerados” – sem qualquer venda realizada. 
 
Ela afirma, porém, que ainda não está oferecendo desconto para pagamentos à vista, e explica que já tomou conhecimento da MP do governo federal. Apesar disso, o sistema utilizado na loja ainda não permite descontos. A gerente também diz que ainda não recebeu um posicionamento do dono da empresa, a respeito do assunto. Sabe que, se for dar desconto de agora em diante, terá que atualizar o software usado para o fechamento das vendas.
 
Pesquisando preço de eletrodomésticos, no comércio da capital na quarta-feira (4), o servidor público aposentado Rivaldo Torres considerou que o consumidor é o maior beneficiado pela medida, já que poderá contar com descontos. “Fica mais barato. Quando tem desconto no pagamento à vista, eu prefiro assim”, revela. O pagamento parcelado é último caso, quando o valor é muito acima do qual dispõe.
 
Proteste é contra preços diferentes
 
Uma das principais preocupações de entidades de defesa do consumidor, como a Proteste, é que se torne comum a prática de inclusão dos custos do cartão no preço anunciado dos produtos. Ou seja, ao conceder o desconto à vista, o comerciante estaria, na verdade, cobrando o que seria o preço normal. A Proteste, em nota publicada após a decisão do governo, se posicionou contra a medida, por considerar que o consumidor já paga taxas para usar o cartão de crédito e estaria sendo mais penalizado ao pagar mais caro para comprar o mesmo produto daqueles que compram em dinheiro. 
 
COMPRAS
 
A recomendação da entidade é que os consumidores não comprem em lojas que ofereçam o desconto. Para o presidente da Federação do Comércio do Rio Grande do Norte (Fecomércio), Marcelo Queiroz, a medida é boa, visto que dá mais liberdade ao consumidor e ao lojista para negociarem. Isso incentivaria inclusive a retomada econômica do país. Sobretudo, o desconto seria uma nova arma para convencer o comprador,opina.
 
“A possibilidade de que as lojas possam oferecer descontos para pagamentos em espécie é, a nosso ver, uma boa medida, já que dá mais liberdade na relação entre lojista e consumidor, tornando-a mais franca e justa. Com ela, os lojistas podem analisar caso a caso e até, se for interessante, rever as negociações que têm hoje com as operadoras de cartões. O importante é que ela cria novos mecanismos de convencimento na hora de fechar as vendas”, pondera.