Preços de produtos de material escolar variam mais de 500%

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Entre o final de um ano e o início de outro a rotina se repete: os pais – ou responsáveis – correm para livrarias ou estabelecimentos de venda de produtos escolares para comprar o material que os filhos vão utilizar no período letivo prestes a começar. Em meio à grande variedade de preços e produtos disponíveis no mercado, a pesquisa é fundamental. 
 
Um levantamento do Instituto Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor de Natal (Procon Natal), divulgado na ultima semana, indica a grande variação nos valores cobrados nas lojas da capital. Os preços de produtos de mesma marca e modelo chegam a variar mais de 500%.
 
Para o atual ano letivo, o preço médio da aquisição do material básico necessário – sem contar os livros didáticos, que não entraram na pesquisa do Procon – é de R$ 503,02, enquanto que no mesmo período do ano passado foi de R$ 422,37. 
 
A maior diferença de preços entre produtos da mesma marca e modelo chega a 538,89%, de um estabelecimento para outro, como acontece com um apontador de lápis de um furo Colorcis. Ele pode ser encontrado no mercado natalense por um valor de no mínimo R$ 0,18 até R$ 1,15.
 
Uma lapiseira Faber-Castel, uma das mais populares e disponíveis nas lojas que fizeram parte da amostra do Procon Municipal, por exemplo, pode variar 234,92% entre as papelarias da cidade. Com um preço médio de R$ 4,24, o levantamento do órgão natalense encontrou o produto com valores de R$ 1,89 a R$ 6,33. Já uma simples caneta marca texto da Pilot, uma das mais disponíveis na pesquisa, com um preço médio de R$ 2,50, pode apresentar uma variação de 260%, circulando entre R$ 1,00 e R$ 3,60.
 
O Procon Natal constatou diferenças de até 475% em relação à régua transparente de 30 cm, da marca Polibras, cujo menor preço é R$ 0,20 e o maior, R$ 1,15. O lápis grande de cor, caixa com 12 unidades da marca multicolor, tem preço variável entre R$ 2,50 e R$ 13,46 – uma diferença de 438,40%.
 
Foram pesquisadas quinze papelarias da cidade, selecionadas entre as maiores e mais tradicionais do mercado, em todas as regiões administrativas de Natal. Por isso, o Procon Municipal orienta para a importância de se pesquisar no momento da compra. O órgão destaca que cabe ao consumidor avaliar a qualidade dos produtos, tendo o cuidado de conferir se o objeto da compra tem o selo de segurança do Inmetro, “pois alguns produtos, embora baratos, deixam a desejar no quesito qualidade e segurança (produtos tóxicos, por exemplo)”.
 
A técnica de enfermagem Valqueline Barbosa, de 33 anos, estava ontem em uma livraria da capital, na Cidade Alta, e analisava alguns cadernos, todos bem coloridos e estampados com algum personagem famoso do momento na indústria de atrações infantis. Ela afirma que costuma pesquisar os preços dos produtos que compra para a filha de oito anos, contudo a qualidade fala mais alto. “Não adianta só o preço se a qualidade do produto for baixa”, disse.
 
A técnica judiciária Marília Silveira, 39, também tirou parte de sua manhã para comprar o material escolar de suas filhas de três e nove anos de idade. Ela relatou sempre prestar atenção à qualidade do produto. “Tento observar o preço mais acessível, contanto que não perca a qualidade”, comentou.
 
De acordo com o empresário da Livraria Câmara Cascudo, Bira Marques, é comum os clientes pesquisarem antes de partir para as compras. O que ele mais observa é a busca sempre pelo melhor parcelamento, com o objetivo de adequar a compra à realidade financeira.
 
“Temos um consumidor que já sabe o que quer, que sempre pesquisa”, avaliou o empresário. “Da parte do comportamento, o que percebemos é a busca do parcelamento; isso é o que o cliente mais quer, colocar a compra dentro das condições que cabem no bolso”, concluiu.
 
Segundo Bira Marques, as vendas no mercado de material escolar só devem aumentar a partir desta semana, quando o período de aulas está prestes a começar. A expectativa na Câmara Cascudo, indica o empresário, é de boas vendas.
 
Aumento médio nos valores é 
de 16% em relação ao ano anterior
 
A pesquisa de preços dos materiais escolares do Procon Municipal foi realizada entre os dias 26 e 30 de dezembro de 2016. Na comparação entre os preços dos produtos com relação ao mesmo período de 2015, foi constatado aumento médio de 16%. Dos itens e marcas pesquisados pelo Procon Natal, 29 tiveram redução de preço; 28 não tiveram comparativo disponível, e apenas um se manteve com o preço médio em relação ao ano anterior.
 
Levando-se em conta a possibilidade de economia, o Procon sugere a pesquisa para quem vai comprar material escolar. Outro ponto observado é que as pessoas procurem as melhores condições de pagamento, observando descontos, a qualidade dos produtos, inclusive, procurando adquirir os que constam do selo de garantia do Inmetro. O Procon lembra ainda que o consumidor não deixe de exigir a nota fiscal da compra. 
 
A pesquisa coletou preços de 36 itens de papelaria, como apontador, borracha, caneta esferográfica, cola plástica, canetas hidrográficas, lápis cera, gizão de cera, lápis de cor pequeno, lápis de cor grande, lápis preto nº.2, massa para modelar, pasta de cartolina, pasta de plástico, pincel atômico, pincel nº.12, tinta guache, esquadro plástico, régua plástica, bloco para fichário, lapiseira e cadernos – de seis tipos, papel almaço e papel tamanho ofício A4 (resma e cento), entre outros.
 
Os aumentos mais significativos foram observados na borracha comum pequena com capa plástica, Faber-Castel, que está 92% mais cara, e na lapiseira Pentel de 7 mm tradicional, 73% mais caro, em relação à pesquisa de 2015.  As maiores reduções de preços foram constatadas no esquadro plástico transparente da Polibras de 16 cm, modelo simples, que está 152% mais barato, e o kit esquadro, régua e transferidor transparente da Xálingo, 90% mais barato nesta última pesquisa.
 
Um dos principais objetivos do levantamento, de acordo com o Procon Natal, é verificar a diferença de preços existente entre os estabelecimentos, de forma a apresentar ao consumidor a necessidade de se pesquisar antes de comprar.

 

Líder do MTST, Boulos é detido em reintegração na zona leste

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O líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, foi detido pela Polícia Militar após reintegração de posse em um terreno particular na Rua André de Almeida, em São Mateus, na zona leste de São Paulo, na manhã desta terça-feira, 17.  Segundo o MTST, ao menos 700 famílias moravam no local, conhecido como Ocupação Colonial em São Mateus. A informação da prisão de Boulos ainda não foi confirmada pela Secretaria da Segurança Pública (SSP).

Em nota na página oficial do MTST, militantes dizem que prisão é "absurda". "Não aceitaremos calados que além de massacrarem o povo da ocupação Colonial, jogando-os nas ruas, ainda querem prender quem tentou o tempo todo e de forma pacífica ajudá-los", publicou o grupo.

Em seu Facebook, Boulos disse nesta segunda-feira, 16, que a ocupação tem "mais de 3 mil pessoas, com crianças e idosos". "A maioria não tem nenhum lugar para ir. Por isso, os moradores decidiram agora à noite (segunda-feira) pela resistência. Não é escolha, é falta dela. O MTST estará junto com os moradores nesta batalha. Não ao despejo! Ajude a denunciar", afirmou.

Segundo o movimento, o grupo está há um ano e meio no local. 

Imagens da Rede Globo mostram que a Polícia Militar usou bombas de gás para avançar sobre os sem-teto. A SSP, em nota, afirmou que "após tentativa de negociação dos oficiais com as famílias, não houve acordo". O governo disse ainda que os moradores tentaram resistir "hostilizando os PMs, arremessando pedras, tijolos e rojões". "O grupo ainda montou três barricadas com fogo."

A pasta confirmou o uso de bombas de efeito moral, spray de pimenta e jato d'água pela Tropa de Choque. 

 

Repórter é agredida ao vivo durante cobertura de rebelião

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Barbárie em Alcaçuz: Defensoria Pública estuda mover ação contra o Estado

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“Quando o Estado trata o preso como animal, ele se torna no que a gente viu em Alcaçuz”. A declaração é do defensor Rodrigo Lima, responsável por uma força tarefa da Defensoria Pública do Rio Grande do Norte para avaliar a situação de presos provisórios nas cadeias potiguares. O objetivo da ação é desafogar o sistema penitenciário.
 
Após as mortes de presos dentro da maior penitenciária do estado, em Nísia Floresta, Região Metropolitana de Natal, os defensores estudam realizar uma ação coletiva contra o Estado do Rio Grande do Norte. O pedido à Justiça deverá envolver a cobrança de indenização às famílias dos apenados, segundo informou o defensor. Não há valor estimado.
 
De acordo com Rodrigo Lima, o valor da multa não é definido por lei e depende somente da decisão do Judiciário. Ele argumenta que o estado tem responsabilidade sobre a vida daqueles que estão custodiados dentro do sistema. “O estado é responsável pela custódia do preso, responsável em fazer que ele cumpra a pena, mas também que ele faça isso com integridade, com dignidade”, argumentou.
 
Rodrigo Lima lembrou que o massacre de Alcaçuz foi a ação mais violenta já registrada no sistema penitenciário do estado e que os atos e responsabilidades serão apurados em parceria com outras autoridades. 
 
“Vamos buscar responsabilidade de pessoas e instituições que deram causa a essa chacina. Cobrar transparência na divulgação de dados, nas informações, saber como ocorreu e possivelmente pedir ressarcimento de danos aos familiares de presos, bem como tratamento humano”, apontou. “Existe uma omissão histórica”, declarou. 
 
Lima ainda ponderou que a entidade pretende ajudar o estado a desafogar o sistema para agilizar os processos de presos que ainda não foram julgados. A equipe de 24 defensores também vai inspecionar as unidades para verificar estruturas e cobrar investimentos do Executivo.
 
A penitenciária de Alcaçuz, segundo afirma, seria vistoriada na próxima semana. Entretanto, diante do quadro de instabilidade, a inspeção será adiada até que o Estado retome o controle do presídio. 
 
O defensor informou que os presos que terão a pena revista são acusados de crimes pequenos que não causam risco à sociedade. “São homens que deixaram de pagar pensão, ou réus primários, que não são perigosos”, destacou. 
 
Além de diminuir o número de pessoas sob custódia do estado, isso diminuiria o recrutamento de novos “soldados” pelas facções criminosas que estão em conflito. Isso porque, de acordo com o defensor, os detentos são cooptados pelas facções logo que entram no sistema penitenciário. 
 
Em troca, recebem facilitações, desde material de higiene pessoal até uma defesa paga pela própria organização. Dessa forma, os detentos se tornam soldados devedores de favores aos líderes.
 
Para o procurador-geral do Ministério Público Estadual, Rinaldo Reis, ainda é cedo para apontar as medidas que serão adotadas. “O momento é muito mais de diagnóstico”, ponderou. Apesar disso, uma força-tarefa será criada para identificar “vulnerabilidades” e “possíveis falhas” que tenham facilitado a perda de controle por parte do estado. 
 
Rinaldo, que acompanhou as primeiras ações na noite de sábado, dentro do Gabinete de Gestão Integrada (GGI) do governo do estado, ainda disse que o órgão deverá cobrar providências. “O momento é muito de diagnóstico. O MP vai acompanhar muito de perto a identificação dos envolvidos e como eles tiverem acesso tão facilitado a armas”, salientou. 
 
“Nós percebemos que o Estado não tem o controle da segurança dos presídios, dos que eles (os presos) estão fazendo lá dentro. O sistema mostrou, agora, toda a sua vulnerabilidade”, concluiu. 

Barbárie em Alcaçuz: Comissão da Polícia Civil investigará o massacre

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A rebelião em que ocorreu o massacre que vitimou presos dentro da Penitenciária Estadual de Alcaçuz permitiu ainda a fuga de apenados de dentro da unidade. A princípio, o governo confirmou apenas uma fuga, e ainda assim de um detento que teria sido recapturado no mesmo dia perto do presídio. Até o fechamento desta edição, não havia um novo posicionamento oficial do governo com relação ao número exato de foragidos. A administração do presídio ainda não tinha finalizado a recontagem dos internos. 
 
No entanto, o presidente do Tribunal de Justiça, Expedido Ferreira, afirmou em conversa com a reportagem do NOVO que sete homens ganharam a rua durante a rebelião. A informação teria sido dado, segundo ele, pelo presidiário recapturado.
 
Ontem a própria Polícia Militar enviou nota a respeito da prisão de um outro detento que havia escapado no sábado durante o motim. O homem foi recapturado na Redinha, depois de fazer um assalto no conjunto Pajuçara e roubar uma moto. Além deste, dois outros presidiários foram encontrados na cidade de São Bento, na Paraíba. Policiais civis e militares detiveram a dupla em uma operação conjunta.  Ambos afirmam à polícia, em vídeo que circulou na internet, que integram o Primeiro Comando da Capital (PCC), e que fugiram durante a rebelião.
 
A Polícia Civil criou uma comissão, formada por quatro delegados, para investigar os assassinatos de detentos que foram executados dentro da unidade. As investigações serão comandadas pela DHPP.

Barbárie em Alcaçuz: O maior massacre da história

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Inaugurada em março de 1998, A Penitenciária de alcaçuz já foi palco de diversos episódios da crônica policial do Rio Grande do Norte. Fugas, mortes rebeliões. Nenhuma delas foi tão expressivo como o massacre registrado entre o sábado e o domingo passados.
 
Em todo o ano de 2016, 10 detentos foram assassinados dentro da unidade, segundo os dados da Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc), repassados pelo próprio titular da pasta, Wallber Virgolino. Somente durante a rebelião que marcou o fim de semana passado, o Estado contabilizou 26 assassinatos, todos com sinais evidentes de crueldade, corpos carbonizados, outros decapitados.
 
Desde sua fundação, a penitenciária teve 200 fugas. Não se registrava uma rebelião no estabelecimento prisional desde o final de 2015, quando os presos promoveram um quebra-quebra depois da descoberta de um túnel por onde haveria uma grande fuga.
 
A penitenciária foi também o local em que estavam os homens apontados como líderes da série de motins registrada em diferentes presídios do Rio Grande do Norte, no início de 2015. Foi de lá que partiu a ordem para os motins, por conta de reclamações de maus tratos dentro da unidade.
 
Passado todo esse tempo, Alcaçuz se tornou o centro das atenções entre as atuais dificuldades enfrentadas pelo sistema carcerário.
 
A construção inicial, segundo o que foi à época divulgado, custou R$ 10 milhões aos cofres públicos.
 
Quatro meses depois de ser posta em funcionamento, em julho de 1998, a penitenciária já registrou a primeira fuga. Um detento considerado de confiança saiu pela porta da frente, sem ser notado. Naquele momento os túneis, que hoje são rotineiramente encontrados sob as celas, não eram comuns.
 
Dois anos depois de abrir os portões, a penitenciária assistiu a uma das fugas que marcaram a história do sistema penitenciário do Rio Grande do Norte. O assaltante de bancos Valdetário Carneiro foi resgatado por seu bando do presídio. Os homens chegaram em carros com armas de grosso calibre, inclusive uma metralhadora ponto 50, usada pelo Exército, e conseguiram tirar Valdetário da unidade à força, atacando as guaritas.
 
Além dele, outros 28 apenados conseguiram fugir, no episódio que se caracterizou na época como a maior fuga da história. O número foi batido em 2012, na evasão em massa que colocou 41 detentos na rua.
 
Os primeiros túneis começaram a ser descobertos pelos agentes penitenciários ainda no início dos anos 2000.
 
Atualmente, a Sejuc convive com uma realidade de uma unidade prisional que está acima de um complexo de caminhos subterrâneos cavados pelos presidiários, que há anos permitem diversas fugas.
 
O detento recapturado no ato da fuga após a rebelião do sábado, inclusive, saía por um buraco cavado no pé do muro.
 
Alcaçuz é o maior presídio do Estado, e dentro dele abriga a bomba relógio que são o Primeiro Comando da Capital e o Sindicato do Crime do RN. O duelo teve o seu capítulo mais sangrento durante o massacre.
 
Construída a partir de um Trabalho de Conclusão de Curso de duas estudantes de Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, a Penitenciária Estadual de Alcaçuz era, na época, o que se imaginava como solução para substituir Penitenciária Estadual Doutor João Chaves, conhecida por Caldeirão do Diabo.
 
O estabelecimento foi projetado para ser de segurança máxima, com espaço para os apenados trabalharem, alas com preocupação com a ventilação, umidade e estrutura visando a evitar a evasão, com preocupação voltada para a ressocialização.
 
Porém as condições desumanas e insalubres às quais eram submetidos os presos do Caldeirão são realidade também de quem vive hoje nas carceragens de Alcaçuz.