Médicos paralisam atividades no Hospital Walfredo Gurgel

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Os médicos da escala da clínica médica do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel decidiram por paralisar a partir de desta terça-feira (26). Os profissionais reclamam quatro meses de salários atrasados. 

Na noite desta segunda-feira, 25,  aconteceu na sede da Cooperativa Médica do Rio Grande do Norte (Coopmed/RN) uma assembleia presidida pelo presidente Fernando Pinto, com os médicos da escala do Hospital Walfredo Gurgel para discutir o atraso de 4 meses no pagamento dos médicos.

Após um intenso debate, os médicos decidiram por paralisação das atividades.

Os médicos estão insatisfeitos com a situação, mas paralisam os serviços respeitando os 30% de atendimento no maior hospital do estado. Ainda em assembleia ficou decidido que caso o governo não efetue o pagamento, a partir do dia 1 de fevereiro, outros serviços que estão em atraso, como  a cirurgia geral, vascular,  ortopedia e CRO suspendem os serviços.

Os médicos decidem pela paralisação após o não cumprimento do acordo firmado com a Sesap/RN. Além da Clínica médica estão em atraso o CRO, Ortopedia, vascular e Plantões do Walfredo Gurgel, que não foram contemplados com o último pagamento da Sesap/RN, realizado nesta segunda-feira,25.

A mesma situação acontece  com a Cirurgia Geral e Clínica Médica do Hospital Deoclécio Marques que, também, está desde outubro de 2015 sem receber.

 

Um doutor das letras e das crônicas estreia no NOVO

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“Quando não estou tomando uma cervejinha, nem no trabalho ou batendo um papo, estou escrevendo”. A resposta irreverente é apenas uma mostra do humor ácido e sagaz do médico, advogado e escritor Armando Negreiros, de 65 anos, que a partir da próxima terça-feira (19) passa a assinar semanalmente o ‘Jornal da Redação’, na página 6 da edição impressa do NOVO.

Armando assumirá o espaço em substituição ao escritor Carlos Fialho, que migrará para a edição dos sábados, onde ocupará o lugar do colunista Bruno Giovanni. Ele promete manter a mesma linha de escrita do seu antecessor, mesclando boas histórias e causos cotidianos com temas atuais sobre política e sobre o contexto social como um todo.

“Não vou deixar de fazer críticas e análises sobre o atual momento em que vivemos. Mas o meu principal intuito é contar aquelas histórias do dia a dia, que passam despercebidas, em formato de crônica, sempre com muito bom humor”, diz.

A principal fonte de inspiração do médico, que atualmente trabalha na Policlínica e do Hospital Luiz Antônio, vem das boas histórias que foram contadas a ele pelo seu pai, Rafael Negreiros, ainda durante a infância e adolescência. Armando relembra que o seu mentor era um grande apaixonado por histórias da Segunda Guerra mundial, sabia o nome de cada General que emprestou sua valentia no conflito, e um exímio conhecedor de assuntos gerais.

Por tamanho conhecimento histórico, Rafael ocupava colunas nos três principais jornais de Mossoró e sua opinião era bastante considerada na cidade. Além disso, era comum que pessoas importantes do município se reunissem na sua casa para contar causos. Muitos dessas histórias são reproduzidas em suas crônicas. “Meu pai era um homem sábio. Tinha um vasto conhecimento. Foi graças a ele que tomei gosto pela leitura e pela escrita”, revela.

Negreiros, por sua vez, não é lá um novato nisso de contar boas histórias nas páginas de jornal. Há mais de 30 anos, ele teve o seu primeiro artigo publicado em um periódico, O Poti, edição dominical do extinto Diário de Natal, e, desde então, pegou gosto pelo trabalho de escrever e publicar.

“Procurei o (Vicente) Serejo (na época diretor de redação do Diário) e perguntei se ele tinha um espaço para eu escrever sobre o Sistema Financeiro de Habitação, em 1982, quando retornei do Rio de Janeiro para Natal. Ele me cedeu o espaço que queria e eu fiz uns três artigos sobre o assunto. Ai me empolguei e não parei mais”, conta.

Depois da série de artigos sobre o Sistema Financeiro de Habitação, o médico anestesista recém-formado no Rio de Janeiro engatou 11 artigos sobre a história da anestesia, todos publicados no caderno B do O Poti. O compilado fez relativo sucesso e Negreiros recebeu o convite para se tornar colaborador efetivo do jornal, permanecendo lá até o seu fechamento.

Negreiros passou ainda pelo também extinto Jornal de Hoje e, esporadicamente, contribuiu com artigos e análises publicadas na Tribuna do Norte. As boas histórias contadas nos jornais lhe renderam a publicação de três livros de crônicas e contos.

Imortalidade

O último deles foi lançado em agosto do ano passado, intitulado “Crônicas quase agudas”, pela editora potiguar Jovens Escribas. Ele ainda escreveu outras três publicações, sendo dois trabalhos científicos, e é co-autor em uma obra que apresenta crônicas escritas pelo seu pai, Rafael Negreiros, e colaboradores.

Desde 2002, Armando ocupa uma cadeira na Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, sendo referendado como um dos principais nomes da literatura potiguar. Um dos livros do médico-escritor, denominado “Na companhia dos imortais”, é justamente sobre os imortais da literatura potiguar, listados até 2002.

Nas páginas do NOVO, o anestesista vai relembrar algumas dessas crônicas e trazer conteúdo inédito para os assinantes. O tema da primeira dessas boas histórias ainda é guardada em segredo pelo escritor, mas ele adianta que continuará abordando temáticas e entrando em discussões polêmicas. “Vou misturar o sério com o jocoso. Espero que os leitores do NOVO gostem do meu estilo”, projeta.

De acordo com Everton Dantas, executivo de conteúdo e engajamento com a audiência, a chegada de Armando Negreiros ao NOVO reafirma o compromisso de pluralidade que o jornal tem com os seus leitores. “Armando vem para reforçar o time de colaboradores do NOVO, atingindo um público que estava carente desse tipo de conteúdo”, garante.

Jurista não praticante

Apesar de ter cursado e concluído o curso de Direito, Armando Negreiros nunca trabalhou como advogado ou jurista. A sua paixão mesmo é a medicina. Aposentado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, onde foi professor da faculdade de medicina, Negreiros reveza entre atendimentos de segunda a sexta-feira na Policlínica e no Hospital Luiz Antônio, ambos administrados pela LIGA.

O trabalho médico é uma das fontes de inspiração do doutor-escritor. O dia a dia em hospitais – e as histórias pitorescas do ambiente clínico – sempre aparecem em suas crônicas e contos. “É um lugar rico para essas histórias”, avalia Negreiros.

Um de seus livros, inclusive, tem o título inspirado na rotina vivida nos hospitais. Intitulado “A folga da dobra”, em referência a um jargão utilizado por enfermeiras e auxiliares de enfermagem durante plantões, a obra é considerada a melhor pelo próprio autor. O livro reúne mais de 120 crônicas publicadas nas páginas do Jornal de Hoje.

A pretensão de Armando é publicar mais um livro até o próximo ano. A publicação deve ser uma sequência do seu último produto lançado, o “Crônicas quase agudas”. “Tenho uma série de crônicas já escritas e que, se juntar tudo, dá ainda mais um ou dois livros”, finaliza com bom humor.

Médico colombiano preso pela PF trabalhava em Galinhos

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O médico colombiano Juan Carlos Velásquez Builes, de 47 anos, preso na tarde da última terça-feira (16) pela Polícia Federal na cidade de Galinhos, ficará detido provisoriamente na superintendência estadual do órgão de segurança, em Natal, enquanto aguarda o Superior Tribunal Federal (STF) julgar o seu pedido de extradição solicitado pelo governo da Colômbia. O tempo de espera para casos dessa espécie pode durar até mesmo anos.
 
De acordo com a assessoria de comunicação da Polícia Federal, como o estado não possui cadeia com estrutura adequada para abrigar um preso que aguarda por extradição, Juan ficará detido, até segunda ordem, no prédio da superintendência, localizado no bairro de Lagoa Nova, em uma sala especial. Além dele, outro detento que também aguarda pelo julgamento na Corte Federal pelo pedido de extradição está preso no local desde o ano passado.
 
 
Velásquez estava foragido desde 2005, quando fugiu para o Brasil para evitar ser preso pelas autoridades do seu país. Ele foi prefeito da cidade de Letícia, capital da província do Amazonas, entre 2001 e 2003. O município faz fronteira com o território brasileiro.
 
Em seu país ele é acusado de envolvimento em diversos delitos, como crimes contra a administração pública, desvio de verbas públicas, exercício irregular da medicina e, inclusive, envolvimento nas atividades das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC’s), grupo de guerrilha que espalha o terror no país. 
 
Ele também havia sido denunciado pelo programa anticorrupção colombiano por ter envolvimento em uma fraude de 1,2 milhões de pesos durante a sua gestão como prefeito de Letícia. O esquema de corrupção envolvia, inclusive, apostas em casas de azar da região.
 
 
Mesmo com o seu nome na lista de pessoas procuradas em todo o mundo pela Interpol, Juan Carlos trabalhava normalmente como médico no Rio Grande do Norte. Atualmente, ele estava vinculado à Secretaria de Saúde da cidade de Galinhos, distante 140 quilômetros de Natal, e trabalhava no Programa Saúde da Família do município.
 
De acordo com Jeferson Marcelo, secretário de Saúde de Galinhos, Juan Carlos Velásquez foi contratado para trabalhar na assistência básica da rede de saúde da cidade litorânea há cerca de um ano e meio e desempenhava normalmente as suas atividades. O secretário afirma que todos os documentos de Juan, inclusive o seu passaporte e registro profissional, foram apresentados no momento de sua contratação pelo município. “Jamais desconfiamos que era foragido da Colômbia”, contou.
 
Jeferson disse que a contratação de Juan Carlos foi feita após uma avaliação positiva do trabalho que o colombiano havia desenvolvido em outras cidades do interior do estado, como Jandaíra e Poço Branco. Procuradas, nenhuma das secretarias de Saúde dos municípios onde Juan passou antes de chegar a Galinhos se pronunciaram sobre o caso.
 
Conselho de Medicina  do RN vai avaliar caso
 
Procurado pela reportagem do NOVO, o presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Norte (CRM), Marcelo Lima de Freitas, afirmou que o caso do médico colombiano Juan Carlos Velásquez será avaliado com cautela pelo setor jurídico do órgão. 
 
De acordo com Marcelo Lima, o conselho vai analisar o caso e averiguar se vai ser preciso abrir sindicância para investigar se houve erro na emissão do registro para o colombiano. “O conselho está colhendo informações e vai analisar com o cuidado necessário todo o caso”, afirmou.
 
Mesmo foragido da justiça colombiana e denunciado em seu país por exercício irregular da medicina, Juan recebeu em março de 2013, com o aval do CRMRN, o registro profissional para trabalhar como médico no Brasil. Ele conseguiu isso após ser aprovado no revalida – prova obrigatória para médicos estrangeiros poderem atuar no país –, feito pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, e ter o seu diploma validado pelo CRMRN.
 
Questionado se pode ter havido uma falha no processo de avaliação da UFRN no caso específico do médico colombiano, o presidente do CRMRN disse que a universidade é bastante criteriosa no que diz respeito ao revalida e descartou a possibilidade de erro. 
 
“A divisão de registro e expedição de documentos da UFRN é extremamente rígida. Nunca tivemos problemas quanto as avaliações feitas por eles. Mas vamos avaliar este caso com maior profundidade”, disse Marcelo.

 

Agressor de médico em Goianinha vai responder a crimes em liberdade

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O idoso que agrediu um médico em Goianinha na segunda-feira passada foi liberado pela polícia após pagamento de fiança de um salário mínimo. Ele responderá em liberdade aos crimes pelos quais será acusado – lesão corporal, ameaça e desacato –, até que saia a sentença judicial.
 
A informação é do delegado Wellington Guedes, que conduz as investigações do caso. De acordo com ele, o inquérito deve ser finalizado em 10 dias, momento em que o processo vai para a Justiça.
 
Ainda segundo Guedes, que é titular da DP de Goianinha, o agressor, identificado como Francisco Rodrigues de Souza Irmão, de 65 anos de idade, deve responder por lesão corporal, ameaça e desacato.
 
Ele teria socado o rosto do médico Luiz Gonzaga Menguita da Costa, de 57 anos, nas dependências do Hospital Municipal de Goianinha na segunda-feira.
 
De acordo com a polícia, a agressão aconteceu após o médico pedir para que o senhor de 65 anos esperasse a sua vez de ser atendido. O agressor, por sua vez, havia se queixado de fortes dores no peito, que já perduravam desde a noite passada, e solicitava urgência no atendimento.
 
O médico, ainda segundo a polícia, disse que se o paciente estava com dor desde o domingo devia ter ido ao hospital na noite passada, e que ele esperasse para ser atendido na sua vez. Foi aí que o idoso deu um soco na boca do médico, de acordo com as informações coletadas pelos policiais da DP de Goianinha.
 
Alegando dores no peito, o idoso foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Médico de Urgência (SAMU) de Goianinha e conduzido ao Hospital Regional Deoclécio Marques, em Parnamirim, onde recebeu atendimento. O médico agredido prestou depoimento na Delegacia Civil de Goianinha e, posteriormente, foi liberado.
 
Esse é o segundo caso registrado de agressão contra profissionais de medicina em menos de um mês no estado. No último dia 4, o administrador Guilherme Faria agrediu o também médico plantonista Antônio Andrade no posto de saúde de Tibau do Sul, no litoral sul do Rio Grande do Norte.
 
O caso teve grande repercussão na internet depois que um vídeo da agressão começou a ser compartilhado no Facebook e chegou até os veículos de comunicação do estado.
Por decisão judicial, Guilherme está impedido de deixar a sua cidade por um período maior do que sete dias sem que a justiça seja notificada.
 
Procurado pelo NOVO, o Conselho Regional de Medicina do Estado (CRM-RN) não se posicionou sobre o caso recente. O CRM está em período de recesso e só voltará às atividades normais a partir da segunda semana de janeiro.
 
O Conselho, todavia, já havia solicitado maior segurança para os profissionais de saúde que atendem na rede pública estadual logo após o incidente envolvendo Guilherme Mendes e o médico Antônio Andrade.
 
O inquérito que apura o caso da agressão feita pelo administrador de empresas ao médico Antônio Andrade ainda aguarda os laudos do Instituto Técnico-Científico (Itep) para a conclusão, além de também ainda restar uma oitiva, a do médico que acompanhava Guilherme no dia da agressão.
 
Entretanto, de acordo com o delegado André Gurgel, que responde pela DP de Tibau do Sul, ele deve ser indiciado pelos crimes de lesão corporal, dano ao patrimônio público, desacato e constrangimento ilegal. A agressão aconteceu no início do mês de dezembro, no dia 4.
 

Médico é agredido por paciente em unidade de saúde de Goianinha

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Um novo caso de agressão contra um médico em exercício da sua profissão foi registrado no Rio Grande do Norte. No fim da manhã de ontem (28), um homem de 65 anos, ainda não identificado, desferiu um soco no rosto do médico plantonista, que o NOVO identificou como sendo Luiz Gonzaga Menguita da Costa, de 57 anos, nas dependências do Hospital Municipal de Goianinha.

De acordo com o chefe de operações da Polícia Civil do município distante 54 km de Natal, Renato Dias, a agressão aconteceu após o médico pedir para que o senhor de 65 anos esperasse a sua vez de ser atendido. O agressor, por sua vez, havia se queixado de fortes dores no peito, que já perduravam desde a noite passada, e solicitava urgência no atendimento.

“O médico disse que se ele estava com dor desde ontem, devia ter ido ao hospital na noite passada [no domingo] e que ele esperasse para ser atendido na sua vez. Foi ai que o idoso deu um soco na boca do médico”, contou Renato Dias. Após a agressão, seguranças do hospital foram acionados para apaziguar a situação e evitar maiores tumultos no interior da unidade de saúde. A Polícia Militar chegou em seguida.

Alegando dores, o idoso, que ainda não teve sua identidade revelada, foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Médico de Urgência (SAMU) de Goianinha e conduzido ao Hospital Regional Deoclécio Marques, em Parnamirim, onde recebeu atendimento.

O médico agredido prestou depoimento na Delegacia Civil de Goianinha e, posteriormente, foi liberado. Ainda segundo Renato Dias, o agressor deve responder judicialmente por agressão, lesão corporal e atentado ao pudor.

O caso será entregue a Promotoria de Justiça de Goianinha. “Vamos aguardar o acusado prestar depoimento, realizar exame de corpo de delito e, em seguida, entregar o caso à Justiça”, informou Renato.

Esse é o segundo caso registrado de agressão contra profissionais de medicina em menos de um mês no estado. No último dia 4, o administrador Guilherme Faria agrediu o também médico plantonista Antônio Andrade no posto de saúde de Tibau do Sul, no litoral sul do Rio Grande do Norte.

O caso teve grande repercussão na internet depois que um vídeo da agressão começou a ser compartilhado no Facebook e chegou até os veículos de comunicação do estado.

Por decisão judicial, Guilherme está impedido de deixar a sua cidade por um período maior do que sete dias sem que a justiça seja notificada. O administrador pode responder por até quatro crimes.

Procurado pelo NOVO, o Conselho Regional de Medicina do Estado (CRM-RN) não se posicionou sobre o caso recente. Segundo a recepcionista da entidade, o CRM está em período de recesso e só voltará às atividades normais a partir da segunda semana de janeiro, quando responderá solicitações da imprensa.

O Conselho, todavia, já havia solicitado maior segurança para os profissionais de saúde que atendem na rede pública estadual logo após o incidente envolvendo Guilherme Mendes e o médico Antônio Andrade.

O NOVO também tentou entrar em contato com a Secretaria de Saúde de Goianinha para maiores esclarecimentos, mas nossas ligações não foram atendidas. Também buscamos informações com o Hospital de Goianinha, mas as funcionarias da unidade não quiseram falar sobre o assunto.

Já a Polícia Civil da cidade preferiu não divulgar nem confirmar o nome do médico sob a alegação de que o profissional pediu para que sua identidade fosse preservada.

 

Agressor do médico deve ser indiciado por quatro crimes

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O administrador e empresas Guilherme Mendes de Faria, 32, deve ser indiciado por quatro crimes após a agressão ao médico Antônio Joaquim Ferreira de Andrade, 65, ocorrida no início de dezembro em Tibau do Sul. De acordo com o delegado que conduz a apuração do caso, restam agora os laudos do Itep para concluir o inquérito, e a tendência é de que o suspeito seja indicado por lesão corporal, dano ao patrimônio público, desacato e constrangimento ilegal.
 
O delegado André Gurgel, titular da DP de Tibau do Sul, informou que Guilherme foi ouvido na segunda-feira e que ontem colheria o depoimento das duas pessoas que acompanhavam o administrador de empresas na Unidade Mista de Saúde no momento do ocorrido. “Depois disso vão ficar faltando os laudos do Itep para concluirmos o inquérito e remetermos à justiça”, corroborou.
 
//Agressão contra o médico ocorreu no dia 4 de dezembro, em Tibau do Sul. 
 
Ainda segundo o delegado, o Instituto Técnico-Científico de Polícia Civil (Itep) deve entregar as perícias em 10 dias. Após a conclusão da fase de investigação, o processo vai passar à Justiça, que, por sua vez, deve determinar quando será o julgamento de Guilherme Mendes e também determinar a pena, caso ele seja condenado.
 
O advogado do suspeito, Flaviano Gama, explica que ele ainda permanece sem permissão da Justiça para deixar o país. “Nós solicitamos a permissão, mas a Justiça entrou em recesso e agora só quando retornar para julgar o pedido”, acrescentou o advogado.
 
// Antônio Joaquim de Andrade, médico agredido no local de trabalho
 
Flaviano Gama reiterou que Guilherme prestou esclarecimentos à Polícia Civil na segunda-feira espontaneamente e está contribuindo sem resistência para todas as fases das apurações.
 
O médico Antônio Andrade conversou com o NOVO depois da agressão e disse que espera que Guilherme Mendes seja responsabilizado civil e criminalmente pelos atos cometidos contra ele. 
 
Na opinião do médico, apenas uma medida severa da Justiça vai fazer com que Guilherme aprenda a lição e não volte a distribuir agressões. Antônio Andrade não quer que o agressor “pague com cestas básicas” pelo crime.
 
// Flaviano Gama, advogado:  cliente está colaborando com apuração
 
O caso teve grande repercussão na internet depois que um vídeo da agressão começou a ser compartilhado no Facebook e chegou até os veículos de comunicação do estado. 
 
Na opinião do médico, apenas uma medida severa da Justiça vai fazer com que Guilherme aprenda a lição e não volte a distribuir agressões. Antônio Andrade não quer que o agressor pague com cestas básicas pelo crime.
 
Com mais de 37 anos de dedicação exclusiva à medicina, o médico afirma que jamais imaginou ter que passar por uma situação como a que enfrentou no começo deste mês de dezembro na Unidade Mista de Tibau do Sul.
 
Natural de Santa Catarina, Antônio Andrade chegou em Natal em 2010, onde realizou serviços para clínicas até se fixar no litoral sul.  Em 2013, passou a atender regularmente na Unidade Básica de Saúde da Praia de Pipa e a fazer plantões na Unidade Mista de Tibau do Sul.
 
Ato de violência gerou 
muita repercussão
 
Guilherme Mendes de Faria deu entrada na sexta-feira, dia 4 de dezembro, por volta das 19h30, na Unidade Mista de Saúde de Tibau do Sul. Segundo relatos da equipe médica da unidade, ele estava alcoolizado e apresentava um ferimento na cabeça, sem gravidade, em decorrência de uma queda sofrida no banheiro de sua residência.
 
Guilherme foi informado que a sala de sutura estava ocupada por um homem que caiu de uma moto e o médico estava realizando suturas no paciente. Uma mulher, que havia sofrido uma mordida de cachorro no rosto, também aguardava atendimento.
 
Um médico particular, amigo de Guilherme, o acompanhava. De acordo com Antônio Andrade, esse médico o procurou logo após a chegada do administrador ao hospital.
 
Segundo Antônio Andrade, foi feita a solicitação para que Guilherme fosse atendido pelo seu amigo. Ele aceitou, mas pediu que eles aguardassem um pouco, pois estava encerrando os alguns procedimentos.
 
Logo após o primeiro contato, Antônio Andrade ouviu gritos na recepção, onde Guilherme Mendes protestava contra a demora no atendimento. Ele diz que foi até o local e pediu para que ele fizesse silêncio, por estarem em uma unidade de saúde.
 
Andrade relata que voltou à sala onde realizava a sutura nos seus pacientes e encerrou o procedimento. Enquanto retornava ao seu consultório, deparou-se com Guilherme Mendes. Sem tempo para dialogar, o administrador de 32 anos passou a deferir socos e ponta pés contra o médico de 65 anos.
 
O médico afirma que a agressão só parou porque o médico cirurgião que o acompanhava e o motorista da ambulância do hospital tiraram Guilherme de cima dele. A violência foi registrada em vídeo por uma pessoa que estava no hospital e a gravação foi propagada nas redes sociais, provocando o repúdio da opinião pública.
 
Após a repercussão, o pai de Guilherme Mendes, o médico oftalmologista Marco Rey, escreveu uma nota em que se desculpava pelos atos do filho. Rey informou na nota que estava em um congresso na Universidade de São Paulo (USP) e que só soube do ocorrido dias depois. Marco Rey disse ainda que Guilherme estava arrependido e constrangido com a agressão que havia cometido contra Antônio Andrade.
 
Além de pedir desculpas pelo fato, marco Rey garantiu que Guilherme Mendes vai assumir a responsabilidade e as consequências do ato. O administrador viajaria para o Canadá alguns dias depois do que cometeu a agressão, para fazer uma pós-graduação, contudo a Justiça não permite que ele saia do Brasil sem que haja uma autorização judicial.