Chargista do NOVO é ameaçado de morte e tem trabalho adulterado

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Depois de ter sua charge "como acabar com um protesto dos coxinhas" adulterada e postada em redes sociais, além de ser compartilhada até por celebridades midiáticas como a jornalista do SBT Rachel Sheherazade, o chargista Ivan Cabral sofreu ameaças de morte via Twitter através do usário @povinhojecarn.
 
"Como acabar com um protesto de coxinhas" trata com humor irônico   uma manifestação de defensores do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), onde a multidão é dispersada depois que um livro de história é arremessado no centro do protesto. 
 
 
O chargista Ivan Cabral está em dúvida se vai ou não   processar o auxiliar administrativo Diego Costa, da cidade Rezende, no Rio de Janeiro,  que adulterou sua charge. E também analisa se vai fazer o mesmo com o autor do perfil do Twitter “@povinhojecarn”, cuja localização é em  Parnamirim-Natal, conforme consta na conta. 
 
"Depois que postei a charge original, o  usuário do Twitter @povinhojecarn, ontem, postou várias ameaças. Depois que as divulguei nas redes, essas ameaças foram apagadas.
 
 
Tudo me parece uma grande bravata, destempero verbal, viabilizado por essa tensão nacional. Acho que esse episódio serve como amostragem da violência, feita por um número crescente de pessoas, contra qualquer um que ouse não defender o impeachment. Como se ser contra o impeachment fizesse de você um corrupto. Essas manifestações violentas começaram nas manifestações mas também envolveram atitudes hostis a membros do governo em restaurantes e locais públicos. E na web não poderia ser diferente", pondera  Ivan Cabral, depois que as ameaças foram feitas na segunda-feira, 21 de março.
 
Diego Costa, o rapaz que não respeitou os direitos autorais e modificou a charge de Ivan Cabral, usou seu próprio perfil no Facebook para confirmar que fez a alteração no dia 19 de março às 21h55. "Eu fiz essa montagem!Um cartunista de esquerda postou logo depois das manifestações do dia 13.  Na versão dele as pessoas estavam de verde e amarelo e o objeto atirado era um livro de história. Na legenda ele dizia algo do tipo: "Como dispersar uma manifestação de coxinhas." Então, eu baixei a foto, abri no photshop e troquei o amarelo por vermelho e substituí o livro de história pela carteira de trabalho. Mas só pra sacanear resolvi deixar a assinatura dele!” E completou: “ Bacana saber que tomou essa repercusão." 
 
 
Em conversa com advogados, Cabral ainda não definiu o que pretende fazer até porque, segundo ele, a situação não colocou em dúvida sua honra ou expôs sua família. “Às vezes as pessoas fazem por serem inconsequentes e nem tem condições de arcar com o que vem depois”, argumentou ele. “Vejo pelo lado mais pacífico e acho melhor pedir para retirar ou fazer alguma retratação pública”, acrescentou. Ele contou que ainda não conversou com o jovem carioca. 
 
Ivan lembrou que esse não foi o primeiro caso do tipo. “A internet é quase um mundo sem lei e muita gente faz esse tipo de coisa”, conta. O episódio mais recente ganhou repercussão no último dia 18, quando o chargista potiguar identificou a alteração da sua arte por meio de uma postagem da jornalista do SBT, Rachel Sheherazade. Foi em meio aos comentários dessa postagem que o autor da modificação foi descoberto. 
 
Na imagem alterada  ao  invés de um livro de história como na arte original, a montagem tem uma carteira de trabalho a exemplo das cores das roupas dos personagens trocadas do amarelo e verdes, para o vermelho em alusão à cor predominante do  PT.
 
A arte original, contou Ivan, faz referência às manifestações contra o  governo Dilma. “E o livro de história retratava a manipulação da mídia e ignorância de quem não conhece a história dos grandes golpes”. Ele garante não ser petista e diz estar “defendendo a legalidade”. Para ele, as pessoas estão enxergando o momento como uma forma de tomar partido para um lado ou outro “quando não é bem por aí”.
 
“O que está em jogo é que houve uma eleição e as pessoas querem mudar esse resultado a todo custo e estão esquecendo das questões legais, porque não é justo pedir um impeachment por causa de uma má administração”, argumenta. “Em suma, o que se vê é uma partidarização de vários setores e fica toda uma confusão”, definiu Ivan que não publicou a charge em questão no NOVO. Somente em sua página no Facebook, em seu blog. O jornalista Paulo Henrique Amorim também a publicou, a exemplo de outros perfis, depois da repercussão da adulteração. 
 
Atualização
 
O auxiliar administrativo Diego Costa, autor da adulteração da charge de Ivan Cabral, publicou uma retratação sobre o caso. Ele pede desculpas e promete evitar o compartilhamento da polêmica imagem. Veja:
 

Bem, recentemente fiz uma alteração indevida e ilegal na charge do Ivan Cabral que teve muita repercussão, inclusive...

Posted by Diego Costa on Tuesday, March 22, 2016

 

Charge adulterada de Ivan Cabral é publicada em revista

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Depois de ter sua charge intitulada "como acabar com um protesto dos coxinhas" adulterada, postada e difundida nas redes sociais, o chargista Ivan Cabral, do NOVO, viu a apropriação indevida do seu trabalho ir parar nas páginas da Revista IstoÉ, uma das principais revistas de circulação nacional do país.

Para a sua surpresa, a edição número 2423 da revista semanal, que chegou às bancas no último dia 18 de maio, traz a sua charge adulterada como ilustração para a matéria “Humor em tempos de crise”. A reportagem destaca, conforme apresenta a própria IstoÉ, “os memes que viralizaram nas redes sociais durante o processo de impeachment”.

Tratada como meme – conteúdo humorístico que viraliza nas redes sociais – a charge aparece ao lado de uma série de outras imagens cômicas bastante difundidas nos últimos meses nos mais variados sites da internet, sobretudo no Facebook. Ivan garante que não foi procurado pela revista para autorizar que o seu conteúdo fosse utilizado na reportagem, além de reivindicar o pagamento dos direitos autorais pelo uso da sua criação.

“Eles cometeram dois erros, na minha avaliação. O primeiro é o de reproduzir um conteúdo sem pagar os direitos autorais ao autor e o segundo, que é mais grave, é de sequer ter me procurado para que eu autorizasse que a charge fosse publicada”, denuncia Ivan Cabral.

Ivan estuda junto com o seu advogado se vai ou não buscar a Justiça para pedir uma indenização pelo abuso cometido pela Revista IstoÉ. “Chega a ser descabido imaginar que uma revista desse porte cometeu um erro tão infantil. Entendo quando uma pessoa vê uma charge nas redes sociais e compartilha. Mas a gente não espera que uma empresa séria faça isso também”, afirma.

A charge original de "como acabar com um protesto de coxinhas" trata com humor irônico uma manifestação de defensores do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Nela, os manifestantes, vestidos com roupas nas cores verde e amarelo, fogem ao ver o livro de história sendo arremessado em direção ao grupo.

Na imagem alterada, ao invés de um livro de história como na arte original, a montagem tem uma carteira de trabalho. Já as cores das roupas dos personagens foram trocadas do amarelo e verdes para o vermelho, em alusão à cor predominante do Partido dos Trabalhadores. “Não tenho compromisso com nenhum partido, mas tenho o meu posicionamento bem definido nesta questão do impeachment. Não posso admitir que coloquem na minha boca um discurso que não é meu”, reivindica Ivan.

Desculpas

A adulteração da charge foi feita pelo auxiliar administrativo Diego Costa, da cidade de Rezende, Rio de Janeiro. O próprio Diego usou o seu perfil no Facebook para confirmar que fez a alteração, no dia 19 de março às 21h55. "Eu fiz essa montagem! Um cartunista de esquerda postou logo depois das manifestações do dia 13. Na versão dele as pessoas estavam de verde e amarelo e o objeto atirado era um livro de história. Na legenda ele dizia algo do tipo: "Como dispersar uma manifestação de coxinhas." Então, eu baixei a foto, abri no photshop e troquei o amarelo por vermelho e substituí o livro de história pela carteira de trabalho. Mas só pra sacanear resolvi deixar a assinatura dele!”, escreveu. “Bacana saber que tomou essa repercusão", completou.

Depois que foi identificado, procurado por Ivan Cabral, Diego usou as redes sociais para pedir desculpas pelo que fez. “Bem, recentemente fiz uma alteração indevida e ilegal na charge do Ivan Cabral que teve muita repercussão, inclusive negativa para mim mesmo. Já me retratei diretamente com ele e me comprometi a fazer isso publicamente também. Entendo que foi um desrespeito à produção artística e intelectual de um profissional, a quem peço desculpas. Tivemos um diálogo civilizado e respeitoso onde nos acertamos e comprometi-me a evitar a repetição desse ato”, escreveu.

Ivan faz questão de ressaltar que é contrário ao impeachment da presidente Dilma Rousseff e diz que continuará lutando pela defesa da legalidade e do direito constitucional. “Tenho a minha consciência tranquila quanto a isso. Faço o meu trabalho de acordo com as minhas convicções e não abrirei mão disso”, garante.