Agentes encontram celulares e até 5 litros de cachaça em unidade prisional de Natal

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Uma operação realizada no Centro de Detenção Provisória (CDP) Potengi, localizado na Zona Norte de Natal, resultou na apreensão de celulares e acessórios, drogas e até cachaça. O material estava com os detentos da unidade.

Foram apreendidos 23 aparelhos celulares, 11 carregadores, sete fones de ouvido, além de 12 maricas ("cachimbo" para fumar crack), três estiletes, três trouxinhas e um tablete de maconha e sete trouxinhas de cocaína. Os agentes também encontraram um garrafão com um litro de cachaça artesanal.

Segundo informações repassadas pela assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Justiça e da Cidadania (Sejuc), os próprios agentes penitenciários da unidade fizeram as apreensões. O trabalho de revista nas celas começou às 18h30 da segunda-feira (9) e terminou às 00h25 desta terça-feira (10).

Sejuc afasta agente suspeito de facilitar entrada de arma em presídio

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O secretário de Justiça e Cidadania, Cristiano Feitosa, afastou por 60 dias um agente penitenciário suspeito de ter facilitado, por "desídio" - ou negligência - a entrada de uma arma de fogo no Centro de Detenção Provisória (CDP) Potengi. Uma pistola foi utilizada por dois presos para, no último dia 17, atirarem contra um agente e um policial militar e fugirem da unidade. Confira vídeo neste link.

Uma investigação vai apurar os fatos. O secretário determinou no Diário Oficial do Estado deste sábado (30) a instauração de uma comissão para apurar as circunstâncias da fuga e a responsabilidade de dois agentes.

Além do agente afastado, a equipe também vai apurar suposta omissão do gestor da unidade prisional. O servidor afastado é Benedito Pereira da Silva Filho. O afastamento dele pode ser prorrogado por mais 60 dias, dependendo da apuração. O outro investigado é o diretor do CDP, Gilmar de Carvalho.  A reportagem procurou o secretário no final da manhã de sábado, mas não conseguiu falar com ele nem com os investigados. As suspeitas, caso confirmadas, caracterizam ilícitudes "administrativo-disciplinares".

A cena da fuga foi flagrada pelas câmeras do sistema interno de vigilância do presídio. O caso ocorreu na noite do domingo (17). Um dos presos fingiu passar mal e quando o agente abriu a cela para socorrê-lo, foi baleado. Daniel Saulo de Queiroz Lourenço e Jangledson de Oliveira conseguiram fugir em seguida. Na cela havia outros nove detentos, que foram contidos.

O diretor da unidade, Gilmar Carvalho, relatou ao NOVO, no dia seguinte à fuga, o que tinha acontecido. “Ao abrir a cela para socorrer, o agente foi recebido a tiros”, detalhou o diretor. O disparo atingiu o braço do agente.

Ainda de acordo com ele, depois de atirarem, os detentos correram em direção à porta da unidade e, no caminho, ainda acertaram um policial militar que auxilia na guarda do CDP. O PM foi salvo pelo colete à prova de balas, que conteve o disparo. Em seguida, os homens pularam o portão e ganharam a rua.  

Ainda de acordo com o diretor do CDP, em cada turno trabalham no local dois agentes penitenciários, com o auxílio de dois policiais militares, que não podem ir até a área onde ficam as carceragens. Na época, a unidade abrigava 133 presos.

A arma

Questionado no dia 18 sobre a origem da arma que estava com os detentos, Gilmar Carvalho disse que seria aberta uma sindicância para apurar como a pistola entrou no Centro de Detenção e foi parar nas mãos dos presidiários. 

 

Motim em CDP da Zona Norte deixa três feridos

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O motim promovido pelos apenados do Centro de Detenção Provisória (CDP) da zona Norte de Natal na noite de ontem (14) terminou com três presos feridos. Todos foram conduzidos para o Hospital Doutor José Pedro Bezerra, no conjunto Santa Catarina.

O confronto dentro da unidade que conta com mais de 190 homens detidos foi iniciado, segundo a direção da unidade, por presos membros de facções rivais. 

Durante a briga, eles destruíram algumas celas do prédio, localizado na Avenida Doutor João Medeiros. O motim foi controlado após uma intervenção do Grupo de Operações Especiais da Secretaria de Estado da Justiça e da Cidadania (Sejuc), integrado por agentes penitenciários.

Os agentes chegaram a fazer uma revista na carceragem, onde encontraram barras de ferros e drogas. A suspeita é que os presos estivessem se articulando para fugir, durante a madrugada.

Ex-governador ficará preso em Apodi

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A transferência do ex-governador do Rio Grande do Norte, Fernando Antônio da Câmara Freire, para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Apodi, depende de um relatório de segurança da unidade para que a Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social (Sesed) faça o translado. A Polícia Militar deverá fazer a escolta de Natal até o município no Oeste Potiguar.

Até o fim da tarde de ontem, o relatório que liberaria a condução de Freire para o município localizado a 340 km de Natal ainda não tinha sido entregue. A transferência foi autorizada pelo juizado da Comarca de Apodi. No entanto, a direção do CDP afirmou ao NOVO ainda durante a manhã de ontem, que a unidade teria condições de receber Freire. “Temos um CDP, organizado, totalmente higiênico e seguro. Em cinco anos nunca registramos morte, tentativa de homicídio, nem mesmo uma fuga. Aqui não tem PCC nem Sindicato do Crime”, disse o agente penitenciário Márcio Morais, que dirige o CDP desde 2012.

A definição pela transferência de Fernando Freire para a região Oeste Potiguar aconteceu durante a manhã de ontem. Até o início dessa quarta-feira, a expectativa era de que o ex-governador fosse levado para a Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em Nísia Floresta. “Estou pronto para recebê-lo”, disse Eider Brito, diretor de Alcaçuz, antes da mudança.

A alteração dos planos originais foi feita por “questão de segurança”. A Coordenação da Administração Penitenciária (Coape) avaliou que a maior unidade prisional não estaria em condições de abrigar Freire. “Avaliamos a situação interna de Alcaçuz, que teve uma morte não esclarecida esta semana, e ponderamos que não seria a melhor decisão colocar o ex-governador lá. E Apodi foi escolhida por ter a condição mais tranquila dentro do sistema prisional”, relatou Durval de Oliveria Franco, responsável pela Coape.

Logo após ser comunicado sobre a decisão da Coape, o diretor do CDP foi preparar o local que deverá receber o ex-governador. A cela tem 12 metros quadrados, com banheiro, quatro camas e TV. Ele deverá ficar sozinho na cela.

“Assim que soubemos fomos aprontar a cela. Não é especial, mas é preparada como poucas do sistema prisional. Fica separada do pavilhão, entre o meu gabinete e o refeitório”, comentou Márcio Morais.

O diretor também planeja por Freire para trabalhar na cadeia. “Queremos aproveitar a experiência do ex-governador para ele fazer palestras e ajudar nos cursos para os presos. Ele tem um lado bom. Sua experiência de empresário, governador e deputado federal é importante. Ele errou, não defendo, mas é um homem que tem o que oferecer. E aqui no CDP todo mundo ajuda na organização”, pontuou.

Atualmente estão recolhidos no CDP de Apodi 97 presos, sendo 80 deles em regime fechado e outros 17 cumprindo pena em regime semiaberto. Enquanto não vai para Apodi, o ex-governador seguirá recolhido no presídio militar, localizado na sede do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), na zona Norte de Natal. Ele está no local desde que recebeu alta do hospital São Lucas, na noite de segunda-feira.

CDP foi reformado pelos próprios presos

O CDP de Apodi é, hoje, tem um dos melhores níveis de organização dentre os estabelecimentos prisionais administrados pela Coape. A oferta de aulas regulares e cursos profissionalizantes é um dos diferenciais do centro de detenção. Os presos também formam grupos que são utilizados no município para a limpeza de escolas e praças e manutenção de outros prédios públicos.

A unidade ainda tem outra peculiaridade. Entregue no início deste ano, o segundo pavilhão, que foi responsável por dobrar a capacidade do CDP, foi construído com a mão de obra interna. Ou seja, os próprios presos que construíram o prédio, com parte material doada e outra comprada com o uso da verba recolhida pelo Judiciário através das chamadas multas pecuniárias. A obra, que durou sete meses, custou R$ 150 mil.

A organização, no entanto, não impede que o CDP sofra com problemas semelhantes aos que ocorrem nas demais unidades prisionais do RN. No dia 3 de outubro, por exemplo, após uma vistoria os agentes penitenciários que trabalham em Apodi encontraram celulares e chips escondidos dentro de uma Bíblia e de outro livro. Também foram encontrados carregadores de celular, 31 pedras de crack e uma faca. “Aqui não é uma igreja, mas é melhor do que a maioria dos lugares”, pondera o diretor Márcio Morais.