Sem medo de ter opinião

CÂNCER NA LARINGE | A falta de diagnóstico precoce e de atendimento no interior são responsáveis pela maioria dos casos no RN

/ SAÚDE / MAIOR PARTE DOS PACIENTES ACOMETIDOS PELA DOENÇA E QUE SÃO TRATADOS NO HOSPITAL LUIZ ANTÔNIO, NO ALECRIM, CHEGA DO INTERIOR COM DIGNÓSTICO TARDIO OU ERRADO E EM ESTADO CRÍTICO

Texto: SÍLVIO ANDRADE | Foto: MAGNUS NASCIMENTO
DO NOVO JORNAL

GERALDA MARIA DA Conceição, 53, que vive na zona rural de Antônio Martins, no Oeste potiguar, é um exemplo clássico de câncer na laringe provocado pelo tabagismo. Desde criança que ela fuma. “Aprendi a fumar no cachimbo de minha mãe”, confessou a paciente ontem ao médico Fernando Pinto, no Hospital Luiz Antônio, no Alecrim durante um exame de vídeofaringolaringoscopia.

Com dificuldade respiratória e rouquidão acentuada, Geralda Maria da Conceição se esforçava para falar, apesar da solicitação do médico para que ela falasse o mínimo possível. Em uma semana, a paciente deve ser submetida a uma laringectomia total. Na tela do vídeo, Fernando Pinto constata que o tumor é grande. “Minha garganta tá apertada. Não consigo nem comer”, disse a paciente.

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novembro 1, 2011   No Comments

A INGRISIA DE IAPERI ARAÚJO | Médico lança livro onde documenta termos da medicina popular

/ DIA DO MÉDICO / DEPOIS DE PESQUISAR DURANTE 40 ANOS TERMOS POPULARES LIGADOS À MEDICINA POPULAR, IAPERI ARAÚJO LANÇA HOJE LIVRO SOBRE O ASSUNTO

Texto: HENRIQUE ARRUDA | Foto: VANESSA SIMÕES
DO NOVO JORNAL

SE VOCÊ ESTÁ com sapiranga,é natural que fi que meio calundu, mas não se preocupe, sua vida não precisa ser uma ingrisia. E não venha dizer que dor na madre dos outros é refresco, pois estou apenas lhe dando um conselho. Não entendeu absolutamente nada, né? O ginecologista e escritor potiguar Iaperi Araújo também não entendia, no entanto, há 40 anos ele vem colecionando significados de termos que ouviu pelos consultórios médicos e hoje vai apresentar o resultado da coleta: “Ingrisia – A Medicina na Língua do Povo”, livro que será lançado no Conselho Regional de Medicina (CRM).

A “dicionarização de termos medicinais”, como o autor classifica sua obra, tem 144 páginas, cerca de 800 termos diferentes e foi editado pelo CRM, que também sugeriu o lançamento para hoje, Dia do Médico. “Não houve censura, eles colocaram absolutamente tudo o que registrei durante todos esses anos”, esclareceu.

Segundo o ginecologista, a motivação de Câmara Cascudo foi fundamental para que as anotações despretensiosas se transformassem de fato em livro. “Foi nos anos 80, eu era muito amigo de Cascudo e ele, percebendo minhas anotações, vivia me recomendando que eu escrevesse um livro com elas. Dizia que não conhecia o suficiente sobre o assunto, já que não tinha completado os estudos em medicina, e me aconselhava a criar a obra”, explicou, lembrando que, três décadas depois, consegue materializar o conselho de Cascudo.

Atualmente, ele avalia que não escuta mais tantos termos populares, principalmente por causa da internet. “Existe uma frequência maior no interior, mas as periferias da capital não ficam atrás, muito embora eles já cheguem ao consultório, hoje, mais informados sobre os sintomas com leituras de internet”, reconhece.

E justamente para que essa tradição não se acabe é que o autor decidiu lançar o livro. “Eu fiz para preservar essa memória linguística que não pode se perder, são palavras interessantíssimas que fazem parte diretamente da sociedade na qual fomos formados”, considera.

Durante o processo, o que mais agradou o autor não foi descobrir tantos significados, e sim mapear a origem dessas palavras, que basicamente foram concebidas por três identidades: africana, portuguesa e indígena. “Aliás, chamo de indígena contra a minha vontade porque esse foi um erro dos portugueses que perdura até hoje, o correto é nativo. Chamaram os nativos de índios porque pensavam que tinham chegado às Índia, mas esse é assunto para uma outra conversa”, esclarece.

Nas observações mais curiosas, ele cita que entre o pênis, a vagina e o ânus, a região menos apelidada nos consultórios médicos é o Zequinha, Bráulio, Chibata… “O pênis é o que menos recebe nomes, o ânus, ao contrário é campeão, já a vagina recebe nomes sempre mais delicados como Vivila, que inclusive foi um dos  nomes mais recentes que ouvi e coloquei no livro”.

Palavras que aparentemente também não fazem parte de um ambiente médico também integram o dicionário. “Dr. essa mulher é um trubufu!”, lembra Iaperi de ter ouvido certa vez. Ele explica que “trubufu”, presente no livro, se origina da língua inglesa “Trouble Full”. “Ou seja, cheio de problemas”, explica. “O Nordeste foi incorporando e modificando o que ouvia. Vivemos em uma região complexa e de grande identidade cultural, não podemos deixar isso se acabar”, conclui.

Para que você, então, não termine a leitura na curiosidade de decifrar o primeiro trecho que leu, aí vai a tradução: Se você esta com conjuntivite, é natural que fique meio triste, mas não se preocupe, sua vida não precisa ser uma confusão. E não venha dizer que dor no útero dos outros é refresco, pois estou apenas lhe dando um conselho.

Segundo Iaperi Araújo, “sapiranga” era como os nativos chamavam conjuntivite, significava “demônio na vista”. “Calundu” é uma palavra de origem africana. “Ingrisia” que dá nome ao livro, significa confusão e “madre” era como as parteiras chamavam antigamente o útero.

SERVIÇO
“Ingrisia – A Medicina na língua do Povo” será lançado hoje às 20h, no CRM/RN
▶ Av. Rio Branco, 398 – Cidade Alta

 

outubro 18, 2011   1 Comment

Gestores defendem novo imposto para a Saúde

/ PROPOSTA / ASSUNTO É DEBATIDO NA CONFERÊNCIA ESTADUAL DE SAÚDE, QUE REÚNE DELEGADOS DE TODOS OS MUNICÍPIOS POTIGUARES

Texto: SILVIO ANDRADE |  Foto: HUMBERTO LOPES
DO NOVO JORNAL

OS GESTORES DA área de saúde pública estão se articulando para defender junto ao governo federal a criação de um novo imposto destinado a melhorar o atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS). O assunto foi exposto ontem na abertura da 7ª Conferência Estadual de Saúde, que segue até amanhã no Centro de Convenções da Via Costeira. O evento reúne secretários da pasta de todos os municípios do Rio Grande do Norte. “Não há outra fonte para aumentar os recursos”, argumentou o secretário estadual de Saúde, Domício Arruda, entusiasta da proposta.

Há oito anos, segundo ele, o orçamento para a saúde estadual é o mesmo, cerca de R$ 1,3 bilhão. Com os recursos contados, afirma, “não dá para renovar as  pinças para neurocirurgia do (hospital) Walfredo Gurgel”, reagiu Domício Arruda. Segundo ele, 80% da população do Estado é atendida pelo SUS. Apenas 20% não dependem do Sistema Único de Saúde, diferente do estado de São Paulo onde pelo menos 45% da população tem planos de saúde.

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outubro 18, 2011   No Comments

NOTÍCIA | A decisão de fazer um aborto deveria ser exclusiva da mulher, defende ONG

A decisão de fazer um aborto deveria ser exclusiva da mulher em nome da liberdade ao corpo e de sua autonomia, entende a educadora social da ONG Coletivo Leila Diniz de Natal, Juliane Ataide. Ela condena o Judiciário, lento nos julgamentos até dos casos legais, e os médicos, que se recusam a fazer partos autorizados pela Justiça. Para Juliane Ataíde, os movimentos em defesa do aborto, no Rio Grande do Norte e no Brasil, vivem desafios e enfrentam resistência, principalmente, do Judiciário e dos profissionais de saúde como os médicos.

Os juízes, na maioria dos casos, ainda têm uma visão legalista sobre o aborto, permitido somente no caso de risco da vida à mulher e estupro, pondera Juliane Ataíde. Com relação aos médicos, queixase, o tema conta com a “objeção da consciência”, quando os profi ssionais alegam princípios religiosos para não interromper a gestação, mesmo nos casos garantidos por lei. “São poucos os médicos que defendem o aborto como uma questão de saúde pública”, ressalva. Mesmo as mulheres que correm risco de vida ou cuja gravidez é encefálica, sofrem uma série de abusos legais na busca pelo direito de abortar para viver, atenta a educadora do Coletivo Leila Diniz.

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outubro 4, 2011   1 Comment

MANCHETE | Aborto: crime impune no Rio Grande do Norte

/ POLÊMICA / MOVIMENTO BRASIL SEM ABORTO DIZ QUE POLÍCIA NÃO SE INTERESSA EM INVESTIGAR E “ESTOURAR” ESTABELECIMENTOS CLANDESTINOS. ALTA INCIDÊNCIA DE ABORTO EM NATAL APONTA PARA A EXISTÊNCIA DE CLÍNICAS CLANDESTINAS; NO ENTANTO, NÃO SE TEM NOTÍCIA DE QUE ALGUMA DELAS TENHA SIDO FECHADA PELA POLÍCIA

Texto: Silvio Andrade e Tallyson Moura | Foto: Argemiro Lima
do NOVO JORNAL

PELO CÓDIGO PENAL brasileiro, provocar aborto pode resultar em uma pena de um a três anos de detenção. No entanto, as pessoas são realmente punidas pelo crime? O coordenador estadual do Movimento Brasil sem Aborto, Cleber Costa, afi rma que dificilmente isso acontece. Segundo ele, a investigação destes casos revela a tendência do governo federal em descriminalizar a prática.

O NOVO JORNAL revelou na edição de domingo que cerca de 1.200 curetagens são realizadas anualmente na Maternidade Escola Januário Cicco, a maior do Rio Grande do Norte, proveniente de processos abortivos. No entanto, no Tribunal de Justiça do Estado não há registro de denúncia deste crime. Cleber Costa explicou que esta realidade não é uma primazia do Rio Grande do Norte. Ele justificou que em nenhum lugar do país se encontrará dados precisos sobre este crime. “Não existe ação repressiva da polícia para combater este tipo de ação”, afirmou.

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outubro 4, 2011   No Comments

EDITORIAL | Mil abortos

É assustadora a informação publicada por este NOVO JORNAL na edição de domingo a partir de entrevista com o diretor geral da Maternidade Januário Cicco, Kleber Morais, segundo a qual por mês chegam a ser feitas ali entre 100 e 110 curetagens em decorrência de abortos. Dessa prática, resultam mais de mil abortos por ano somente na maior maternidade pública da capital.

Como bem frisou o diretor da maternidade, é um caso de saúde pública. Merece, portanto, que as autoridades, e não somente as da área médica, voltem as atenções para esse quadro e busquem, aí sim junto aos especialistas, uma forma de enfrentar o problema, de modo a evitar um agravamento ainda maior. Por ora, a informação leva a uma suposição que potencializa ainda mais a gravidade: Se na melhor das maternidades públicas do estado acontece isso, o que não estará ocorrendo em outras unidades e em clínicas clandestinas de aborto? Aliás, há algum tipo de fiscalização que as investigue? Elas ainda existem?

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outubro 4, 2011   No Comments

REPORTAGEM | Mil abortos por ano

/ ALERTA / MATERNIDADE JANUÁRIO CICCO REALIZA EM MÉDIA 110 PROCEDIMENTOS DE CURETAGEM POR MÊS PROVOCADOS POR ABORTO; TJ NÃO SABE INFORMAR SE JÁ PUNIU ALGUÉM POR ESTE CRIME NO RN

Texto: Silvio Andrade | Foto: Argemiro Lima
do NOVO JORNAL

A MATERNIDADE ESCOLA Januário Cicco, maior do Estado, realiza entre 1.200 e 1.320 curetagens por ano em decorrência de abortos, uma média mensal de 100 a 110 procedimentos dessa natureza. “Um caso de saúde pública”, atesta o diretor geral da unidade, médico obstetra Kléber Morais. Os números são alarmantes e as condições das mulheres, muitas vítimas de violência sexual, pior ainda.

Apesar de ser crime previsto em lei, o Poder Judiciário não sabe informar se a prática do delito no Rio Grande do Norte já resultou em punição. Sem fazer julgamento moral ou religioso dos atos praticados pelas pacientes, Kléber Morais explica que elas chegam à maternidade sangrando, ou seja, em processo de abortamento inevitável, o que interrompe a gravidez. Por isso, é feita a curetagem.

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outubro 3, 2011   No Comments

PLURAL | Operação traumática contra Natal

Eleika Bezerra
Professora
eleikabg@supercabo.com.br

Um choque, um verdadeiro trauma a notícia capciosamente estampada nas manchetes dos jornais sobre a construção de um “hospital de trauma” com os recursos provenientes da “venda” do Estádio Juvenal Lamartine! . É indispensável que os natalenses não durmam em berço esplêndido neste momento. Já havia enviado o artigo da semana para a redação.

Não me contive e escrevo um novo na tentativa de “dar um grito” sobre a questão. Em 15 de junho de 2011, escrevi neste mesmo espaço do “Novo Jornal” um artigo sobre o assunto: “Era só o que faltava”. E, no momento, me deparo com uma triste notícia que de alguma forma confirma os rumores já circulantes há alguns anos sobre uma “negociação” relativa ao estádio Juvenal Lamartine. Agora poderia dizer: não falta mais nada!…

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setembro 29, 2011   1 Comment

[Reportagem] Nova imagem de um bom baiano

Lousie Aguiar
do Novo Jornal

O MÉDICO DELFIN Gonzalez Miranda,59, é um típico baiano. Fala manso e tão baixo, mas tão baixo, que a repórter quase não conseguiu extrair o áudio da entrevista de pouco mais de 30 minutos. Também dorme pouco, assim como a maioria de seus colegas. Três horas de sono por noite o deixam satisfeito. Nascido e criado em Salvador, aos poucos está trocando a capital baiana pela potiguar. Chegou a Natal como convidado, mas hoje é investidor. Desde abril do ano passado detém 75% das ações do Natal Hospital Center; o valor da negociação, porém,permanece em sigilo.

Nos próximos 30 dias vai inaugurar, ao lado do hospital, a Clínica Delfin de Diagnóstico por Imagem, ramo no qual atua há mais de três décadas. A compra de três quartos das ações do hospital, conta ele, foi por acaso, como se estivesse destinada a acontecer. “Estava no lugar certo, na hora certa”,diz. Tudo começou quando foi convidado pelos sócios Aldair Paiva e Henrique Fonseca para abrir uma unidade de diagnóstico de imagem dentro do Natal Center em 2009. [Read more →]

setembro 5, 2011   1 Comment

[Charge] Volta da CPMF

setembro 4, 2011   No Comments