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CIDADES | A essência do mal

/DENÚNCIA/ EX-COORDENADOR DO SISTEMA PRISIONAL ADMITE ESQUEMAS DE CORRUPÇÃO ENVOLVENDO ADVOGADOS, PMS E AGENTES PENITENCIÁRIOS; PRESOS DE ALCAÇUZ RECEBEM VÍDEOS E IMAGENS DE PESSOAS SENDO ASSASSINADAS COMO PROVAS DE QUE O SERVIÇO FOI BEM EXECUTADO

Texto: ANDERSON BARBOSA
DO NOVO JORNAL

A CORRUPÇÃO CAMPEIA nas unidades prisionais do Rio Grande do Norte e a perversão é pior do que se imagina. Mas é na maior delas, na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, onde a situação é pior. Vídeos contendo gravações e fotos de pessoas sendo executadas a sangue frio são encaminhados aos presos através de mensagens e aparelhos celulares. São provas de que os serviços, encomendados de dentro pra fora não falharam e foram bem executados. A entrada do material conta com a colaboração de advogados, policiais militares e agentes penitenciários. A grana rola solta. É alta. E o Estado sabe de tudo.

Lotéricas e agências bancárias também estão na mira dos presos de Alcaçuz. As fotografias que apontam os alvos a serem assaltados entram com facilidade e chegam aos montes. Casas de praia, fachadas de residências, automóveis e motocicletas completam o mostruário. Drogas, armas, prostituição. Tudo entra. Basta pagar. No topo da lista, há uma relação com dezenas de nomes de presos que se proclamaram membros do PCC, o Primeiro Comando da Capital, facção nascida em São Paulo e que hoje domina a criminalidade nas grandes capitais.

“É claro que em Natal tem PCC. Tenho uma lista com 82 nomes, dos padrinhos aos afilhados. E para fazer parte da facção, tem que agradar. Para um bandido ser aceito, basta cometer um crime que interessa ao chefe. É o que eles chamam de ‘responsa’. Existem rituais dentro de Alcaçuz. Para fazer parte só não pode fumar crack. O cara fica muito noiado e perde o controle. Maconha tá liberado. Cocaína também”.

As revelações de que o universo carcerário movimenta muito dinheiro, comanda o tráfico de drogas nas maiores cidades do estado e é responsável pela elevação dos índices de criminalidade merecem credibilidade, não vêm de qualquer um. Não são os presos quem estão confessando ou especulando absurdos. Quem chuta o balde e dá um bico no pau da barraca é o ex-coordenador do próprio sistema prisional, José Olímpio da Silva. “Tá tudo documentado”, admite.

“Eu tenho comigo vários celulares com vídeos que mostram pessoas sendo mortas, executadas a tiros. Em algumas gravações, as imagens mostram policiais militares puxando o gatilho”, disse ele. “Também encontrei fotos de fachadas de lojas, de bancos e de casas lotéricas, além de imagens de veículos que deveriam ter sido ou foram roubados. Tem de tudo. Os crimes são encomendados de dentro de Alcaçuz. E os bandidos, do lado de fora, gravam tudo e mandam lá pra dentro. As fotos e as gravações são provas de que as ordens foram cumpridas”, acrescentou.

Para que o material chegue ao mandante, o ex-coordenador também revelou ter conhecimento da participação efetiva de agentes penitenciários, policiais militares e até de advogados. Dois deles, cujos nomes foram mantidos em sigilo, estão proibidos de entrar na penitenciária. “Não comuniquei à OAB, mas os nomes foram repassados à Sejuc. O Estado sabe de tudo”, enfatizou.

Questionado quanto ao valor pago aos corruptos, Olímpio não quis entrar em detalhes. Ele também preferiu não dar os nomes dos presos envolvidos nos crimes, mas garante que todas as investigações feitas em sua gestão constam em relatórios e estão registradas em livros. “Tudo o que acontecesse em Alcaçuz é comunicado à Secretaria de Justiça e Cidadania”, emendou.

Sem receio de se expor, Olímpio faz um diagnóstico e apresentou um dado ainda mais alarmante: “Eu digo que 90% dos crimes que acontecem nas ruas são ordenados por presos que estão em Alcaçuz”, pontuou.

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1 comment

1 CIRO COELHO { 01.29.12 at 18:43 }

ESSAS AFIRMAÇÕES, PORQUE NÃO FORAM LEVADAS A PÚBLICO QUANDO ELE ESTAVA NO SISTEMA?.

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