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CIDADES | Fuga facilitada

/ VISTORIA / ENGENHEIRO RESPONSÁVEL PELO NOVO PAVILHÃO DE ALCAÇUZ REFORÇA A SUSPEITA: “AS CELAS FORAM ABERTAS, MAS NÃO PELO LADO DE DENTR

Texto: ANDERSON BARBOSA
DO NOVO JORNAL

A FUGA EM massa dos 41 presos do pavilhão Rogério Coutinho Madruga, a maior já registrada na história de Alcaçuz, foi mesmo facilitada. Esta é a conclusão do engenheiro Marcos Glimm, da empresa gaúcha Verdi Construções, responsável pelo projeto e execução das obras do novo pavilhão. O engenheiro finalmente conseguiu permissão e ontem pela manhã visitou a unidade. A imprensa foi proibida de acompanhar a vistoria. Mesmo assim, Glimm foi categórico: “As celas foram abertas, mas não pelo lado de dentro. A culpa pela fuga foi da falta de gerenciamento”, afirmou.

As declarações do engenheiro apenas ratificam e reforçam as suspeitas já anunciadas pelo próprio advogado Fábio Hollanda, titular da Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc). Assim que tomou conhecimento da fuga, Hollanda passou a considerar que houve negligência e facilitação, uma vez que não existiam cadeados nas celas, não havia um único agente penitenciário vigiando os corredores do pavilhão e, o mais grave, não tinha um sentinela sequer ocupando as três guaritas mais próximas ao prédio. “Ainda não podemos apontar os culpados. Mas, posso garantir uma coisa: quem apostou contra o estado, perdeu”, disse o secretário durante a entrevista coletiva realizada na manhã seguinte ao acontecido.

A visita de ontem ao novo pavilhão de Alcaçuz foi uma iniciativa da própria empresa que construiu o novo pavilhão. Não houve solicitação do Ministério Público, que apura criminalmente a culpa pela debandada dos 41 detentos, ou mesmo da Sejuc, que instaurou uma sindicância administrativa para identificar os responsáveis.

“Estou aqui porque o filho é nosso. É o nome da nossa empresa que está em jogo. E posso garantir: a construção está intacta. Nada foi destruído para que a fuga acontecesse. De dentro das celas, preso nenhum consegue abrir as grades”, pontuou Glimm, logo após a vistoria.

Enquanto o engenheiro busca dirimir as dúvidas e tenta isentar a empresa de qualquer responsabilidade pela maior fuga da história de Alcaçuz, os agentes penitenciários rebatem as acusações e afirmam que a unidade, desde que recebeu os primeiros presos, em outubro do ano passado, jamais possuiu cadeados nas celas. Este simples fato, para eles, já atesta que a responsabilidade é do estado, que também não aumentou o efetivo de agentes dentro de Alcaçuz.

A resposta, que rechaça a suspeita de que os agentes facilitaram a fuga, foi dada pelo chefe da equipe de agentes penitenciários de Alcaçuz, o sindicalista Raul Lúcio Moreira. “Temos um memorando que comprova. Os cadeados só foram solicitados na manhã da sexta-feira, justamente após a fuga. E se não havia vigilância dentro do novo pavilhão, a culpa não foi nossa. Enquanto a coordenadoria não aumentar a quantidade de agentes, não dá pra dois ou três agentes arriscarem suas vidas”, pontuou.

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2 comments

1 Blog do Mineiro { 01.26.12 at 10:55 }

[...] É da boca de José Olímpio da Silva, ex-diretor de Alcaçuz, que o repórter Anderson Barbosa, do Novo Jornal, edição desta quinta-feira, colheu a assustadora afirmação: ” “Eu digo que 90% dos crimes que acontecem nas ruas são ordenados por presos que estão em Alcaçuz”. (aqui) [...]

2 Alcaçuz e nosotros | #rnblogprog { 01.30.12 at 7:41 }

[...] É da boca de José Olímpio da Silva, ex-diretor de Alcaçuz, que o repórter Anderson Barbosa, do Novo Jornal, edição desta quinta-feira, colheu a assustadora afirmação: ” “Eu digo que 90% dos crimes que acontecem nas ruas são ordenados por presos que estão em Alcaçuz”. (aqui) [...]

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